Oswaldo Petrin
Abastecimento a salvo
-Em geral, funcionários burocráticos do governo falam o que convém para justificar o injustificável. Mas, desta vez, foi providencial uma declaração, ontem, do assessor especial do ministro da Fazenda para assuntos agrícolas, Gerardo Fontelles. Ele nem se permitiu levar pelas notícias de escassez - que invariavelmente geram muita especulação - nem se preocupou em escamotear a realidade, como habitualmente ocorre. Admitiu a escassez de feijão e arroz, mas, acertou na mosca ao afirmar que o mercado não comporta ascensão contínua dos preços: ‘‘Chegou a um ponto de saturação’’, disse.
-A queda no preço do feijão, ontem, atesta que o sr. Fontelles estava certo. Em outras épocas, declarações de assessores ministeriais ou tentavam encobrir os fatos, negando a escassez, por exemplo, ou ameaçavam com importações, que não beneficiam o consumidor - porque invariavelmente chegam com atraso - e ainda prejudicam o produtor.
-Enquanto o País não avança na organização de suas cadeias produtivas, não provendo o mercado de ‘‘antídotos’’ contra as especulações, fica valendo a prudência dos homens do governo que ocupam papel importante no abastecimento. Foi o caso. Espichar as informações sobre ameaça ao abastecimento, neste momento, além das consequências naturais sobre os preços, ainda daria margem à especulação política.
-Achar que vai faltar feijão num país com épocas de plantio e áreas tão diversas e com sistemas de produção tão heterogêneos, é exagerar no chutômetro. Convenhamos que se trata de cultura extremamente sensível.
-Com relação ao arroz, o governo liberou a concessão de empréstimo de comercialização - EGF sem opção de venda, o EGF-Sov - para a indústria e beneficiadoras de arroz. De acordo com a Resolução 2494 do Banco Central, baixada ontem, os bancos poderão conceder EGF-Sov para a indústria, beneficiadoras e cooperativas de produtores para a aquisição de arroz até o limite de 50% da capacidade de industrialização/transformação.
-A Resolução nº 2494 ainda eleva de 5% para 10% o limite de operações de desconto de Duplicata Rural (DR) e de Nota Promissória Rural (NPR) ao amparo de recursos obrigatórios (MCR 6-2). A elevação vale apenas até o dia 31 de agosto deste ano. Para ter direito ao financiamento, a indústria terá de provar que adquiriu o arroz diretamente do produtor ou de suas cooperativas pelo preço não inferior ao preço mínimo fixado pela Conab. O objetivo da medida é facilitar o escoamento da safra.(Raquel Stenzel, AE).
-Por causa dos problemas registrados na comercialização da safra de algodão, a resolução do Banco Central exclui do novo limite de 10% as operações de desconto de duplicata e de nota promissória de aquisição de algodão. O banco poderá direcionar os recursos das exigibilidades em sua totalidade para operações com DR e NPR de algodão. Álcool
O governo deve autorizar próxima semana o aumento de 22% para 24% do álcool anidro misturado à gasolina. A informação foi dada ontem pelo ministro da Indústria e do Comércio José Botafogo Gonçalves, ao chegar dos EUA.
Pig Fest
Produtores de suínos promovem dias 15, 16 e 17 de maio, em Arapongas, a Pig Fest, com pratos típios e inéditos. O objetivo, segundo José Nobuo Sato, presidente da Assuar, é divulgar a campanha pela qualidade da carne suína.
Café
As previsões não são boas para o produtor. ‘‘Estamos entrando em um ciclo de baixa’’, diz Paul Moeller, da empresa suíça Volcafe, a segunda maior trading do mundo. Ele participou ontem de um Seminário Internacional no Guarujá.
Café 2
Na safra 98/99, a produção mundial deverá superar o consumo em 7 milhões de sacas. Na atual, houve déficit de 6 milhões. Em média, o Brasil deverá produzir 35 milhões de sacas nos próximos anos. (Previsão contestável).
Café 3
Até 2003 a produção deve superar o consumo. Serão produzidos 111 milhões em 2003, para um consumo de 102 milhões de sacas, diz Moeller. Os estoques, hoje em 27 milhões, subirão para 64 milhões.

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