Oswaldo Petrin
Frota Verde: avanço
-Se depender do Senado, em cinco anos, todos os veículos oficiais (federais, por enquanto) serão movidos a álcool. É que, ontem, foi aprovada (pela Comissão de Assuntos Sociais do Legislativo) a criação da ‘‘frota verde’’. A decisão não é, ainda, um avanço significativo em direção ao revigoramento do Programa Nacional do Álcool, como pretende o setor sucroalcooleiro. Mas sinaliza o desejo de parte dos senadores. No mínimo, uma boa dose de simpatia pelo revigoramento do álcool, já que o projeto - já aprovado pela Câmara - vai a plenário no Senado. A aprovação do projeto faz parte de um conjunto de medidas do governo para resolver o problema do excedente de álcool.
-Vencidos os embates políticos, a substituição da frota deve ser tratada em esfera técnica. Ainda que o Senado aprove explicitamente a substituição pura e simples dos veículos, deve haver um processo de adequação das frotas em uso e a incorporação de veículos novos. O assunto não deve ser tratado de forma linear como substituição pura e simples. Até porque, o que interessa ao setor é a ampliação do consumo, o que implica na retomada da fabricação de motores movidos a álcool, envolvendo muito mais do que a vontade dos políticos, mas a viabilidade técnica da indústria automotiva, cuja posição é conhecida.
-A troca da frota por veículos a álcool só não é obrigatória, pelo projeto, para carros de combate ou transporte de tropas das Forças Armadas. Mas carros alugados para uso oficial também terão de ser movidos a álcool, dependendo de normatização. Além de apoiar a criação da ‘‘frota verde’’, o governo está tratando do aumento da mistura de álcool na gasolina.
-O projeto aprovado também limita a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) na aquisição de carros para os taxistas aos que adquirirem veículos acima de 1.000 cc movidos a álcool. Os representantes comerciais autônomos também terão direito ao benefício.
-Outra vantagem oferecida pelo projeto é a garantia de prazo de financiamento, por consórcios, no mínimo 50% maior que os prazos para a aquisição de veículos movidos a gasolina ou diesel. Segundo a ‘‘Agência Folha’’, o projeto, porém, não fala nenhuma vez em álcool, mas em ‘‘combustíveis renováveis’’. O autor do projeto é o deputado Flávio Derzi (PPB-MS).
-A ‘‘frota verde’’ do governo vai garantir um cliente importante às montadoras interessadas em fabricar carros a álcool. Como é certo que governos estaduais e municipais adotem a substituição de veículos, a produção de carros a álcool poderá atingir 200 mil carros/ano (dados da Anfavea).
-Força política: a Frente Sucroalcooleira, que negociou com líderes do governo o apoio ao projeto, reúne no Congresso 204 deputados e 42 senadores. O relator do projeto é o senador Joel de Hollanda (PFL-PE). Juros
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em seu relatório mensal de conjuntura econômica, contestou ontem a interpretação de que a recente mudança no sistema de câmbio contribui para a queda dos juros.
Juros 2
A medida é gradual, sendo irrisório seu impacto a curto prazo, diz a CNI. No último dia 30, o Banco Central alargou a chamada minibanda, que é a faixa na qual a cotação do dólar pode flutuar livremente.
Cesta
O arroz e o feijão estão custando mais caro em maio. O feijão, que em dezembro estava a R$ 0,79/kg, já custa R$ 2,12 no varejo paulusta, ontem. O pacote de 5 kg de arroz voltou ao preço de entressafra: R$ 3,70/4,00.
Cesta 2
Os estoques de grãos estão muito baixos, conforme informou Eugênio Estefanelo a este jornal, ao assumir, dias atrás, a presidência nacional da Conab. O governo, por enquanto, não pretende intervir.
Café/milênio
Representantes do comércio, indústria, exportadores e importadores de 26 países participam hoje e sexta-feira do 12.o Seminário Internacional do Café, em Guarujá. Tema: ‘‘O Café na Virada do Milênio’’.

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