Oswaldo Petrin
Expurgo no leite
-O Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite que começou a ser debatido ontem entre governo e setor produtivo, vai eliminar sistemas de produção e excluir determinados tipos de produtores, certamente os mais empíricos, os que não investem em genética e sanidade do rebanho e os que ainda mantém instalações rudimentares. É o que deixa entrever pelo menos um trecho do documento tornado público dias atrás e reproduzido ontem pela Agência Estado: ‘‘Dentro do desenvolvimento tecnológico atual, muitos sistemas de produção vão se tornar inviáveis’’, diz o documento, alertando que é esperada uma redução no número de produtores de leite no País. E mais: o documento admite que para oferecer ao consumidor brasileiro um leite de melhor qualidade, será necessário promover alterações fundamentais em praticamente toda a cadeia produtiva e também na legislação.
-Oficialmente, o Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite objetiva dar mais competitividade ao setor leiteiro do Brasil e melhorar a qualidade do leite oferecido ao consumidor. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, o esboço do programa ainda será submetido a audiência pública para somente então ser implementado. Mas o governo quer jogar duro para ‘‘sanear’’ o setor.
-No bojo dos debates, está a globalização e a disputa do mercado já que a tendência do consumidor no mundo inteiro é exigir alimentos mais seguros e saudáveis. A questão econômica também não está desvinculada da qualidade, pois na Rodada Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) os países acordaram em aumentar as exigências quanto à segurança dos alimentos, de forma progressiva.
-A legislação brasileira em vigor estabelece três padrões de qualidade de leite para o consumo direto pela população, definidos como A, B e C. O leite A tem que ser envasado e pasteurizado na propriedade; o tipo B tem que obedecer padrões de controle dos animais e ser refrigerado na propriedade rural, antes de ser transportado para a indústria a fim de que seja pasteurizado; e o tipo C não tem padrão microbiológico e sanitário previsto na legislação. O leite do tipo C responde por 80% da produção brasileira de leite. Nos países desenvolvidos existe apenas um tipo de leite de consumo: o tipo A.
-O governo quer a produção de leite tipo B para consumo. Hoje o leite para a indústria (utilizado na produção de lacticínios) tem mais qualidade que o leite para consumo. O governo quer reverter este quadro, segundo Ênio Marques. É o que se conclui da sua entrevista à repórter Raquel Stenzel, da AE.
-O esboço do programa lista uma série de medidas que deverão ser adotadas para que se chegue a este nível. Em primeiro lugar, a qualidade do leite cru terá que ser melhorada, por meio do controle da sáude animal e da higiene no trato do produto, e terá que ser feita a refrigeração imediata do leite na própria fazenda.UBA/reunião
-A União Brasileira de Avicultura (UBA) realiza amanhã, às 9 horas, em Londrina, a Reunião Plenária Regional com especialistas e produtores, além do presidente da entidade, Zoé Silveira D’Ávila.
Avipar
-Segundo o presidente da Avipar, Paulo Ferreira Muniz, a iniciativa da UBA em descentralizar as discussões é oportunidade para atualizar industriais e produtores. ‘O Plano Nacional de Sanidade será debatido aqui’, exemplifica.
Plano
-Segundo Muniz, o encontro, no Centro de Convenções Sumatra, dará amadurecimento ao Plano Nacional que, ao ser implementado, oferecerá orientações ao segmento avícola brasileiro.
Especialistas
-O Plano será debatido das 9 às 12 horas, sob coordenação do professor da USP, José Américo Bottino, e terá como debatedores João Aidar Filho, João Tomelin (da UBA) e Ivens Guimarães (UEL) e Ivonei Vieira (Seab).
Mercado
-À tarde serão debatidos: mercado interno de ovos e frangos, mercado internacional, reforma tributária e tendências da avicultura brasileira para 1998.

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