Oswaldo Petrin

Câmbio e juros irreais
-O professor Ismael Mologni, da Universidade Estadual de Londrina, faz as contas (reportagem de capa do caderno de Economia, ontem) e chega a números colossais sobre as divisas que deixam de entrar no País em decorrência da defasagem cambial: pelo menos 34% do valor das exportações, uma vez que é este o deságio tomando-se como base a inflação do período. Considere-se a defasagem entre julho de 1994 e abril último.
-É olhar para esses valores e convertê-los em investimentos internos, de infra-estrutura. Ou, em outro ângulo da análise, o comércio não precisaria amargar tantas dificuldades com atuais taxas de juros. Ou, ainda, imaginar todo esse dinheiro oxigenando o chamado agronegócio. Agricultura repondo máquinas é emprego urbano garantido.
-Não é a primeira vez que o professor e consultor alerta; já o fizera há um ano, antevendo todas as consequências que hoje ocupam abundante espaço na imprensa. O editorial da Folha de São Paulo também aborda a trajetória cambial: ‘‘é ilusório achar que o mercado cambial está mais livre no Brasil’’.
-Simulações em cima de números reais apontam os prejuízos que o comércio vem sofrendo com o câmbio artificial e por pagar juros completamente fora da realidade para segurar investimentos (especulativos) em dólares e manter suas reservas. Os efeitos das duas vertentes - juros altos e política cambial - expressam uma economia debilitada. A teimosia dos técnicos terá um custo muito alto.
- Cooperativas Um estudo - de 164 páginas, apresentado ao Departamento de Administração da FEA-USP pela técnica Fabíola R. Santos - aponta diagnóstico de 20 cooperativas tendo como base seus balanços desde o início do Plano Real. As empresas endividadas sucumbiram aos altos juros; as capitalizadas se fortaleceram. O trabalho de formatura - ‘‘Agribusiness: risco de crédito em cooperativas’’ - foi considerado o melhor apresentado pela turma de 97 e ganhou o Prêmio Ruy Leme.
-A utilização de recursos de curto prazo para imobilizações caracterizou as cooperativas malsucedidas. Das 20 cooperativas analisadas, 14 estão no Paraná. A Coamo foi considerada a melhor e a maior em termos de faturamento, diversificação e industrialização. A Coamo foi a que apresentou, também, o maior capital de giro. A cooperativa tem-se mostrado eficiente com ‘‘folga’’ entre os prazos médios de recebimento de clientes e o de pagamento de fornecedores, o que tem permitido aplicações e receitas financeiras.
-Entre as empresas avaliadas, as cooperativas Cocamar, CAC (de Cotia), Holambra, Coopagro, Coprocafé e Coagel tornaram-se insolventes e a Agrovale, Capal e Witmarsum tentam evitar a falência. Saldo
Já que o gargalo é a questão cambial, abril terminou com saldo líquido de US$ 6 bilhões, o segundo maior depois do recorde de US$ 10 bi (março). Assim as reservas cambiais devem confirmar um novo salto para US$ 75 bi.
Euro/dólar
Um euro estável não será ameaça para o dólar, disse ontem o presidente da Comissão da União Européia, Jacques Santer, que vê o futuro euro como uma das moedas de reserva do mundo. A UE escolheu formalmente os 11 países que irão aderir ao euro em 1º de janeiro de 99.
Estoques
Stefanelo reconheceu ontem que assume (hoje) a presidência da Conab num momento que os estoques de arroz, feijão e milho estão baixos e o pouco que existe será usado nos programas sociais.
Estoques 2
A meta é aumentar os estoques de alimentos, a partir da próxima safra. O governo vai estimular o plantio. Stefanello antecipou que os produtores poderão ter mais recursos para o crédito.
Preços
O orçamento do órgão para este ano é de R$ 2,2 bi, que serão usados na execução da política de preços e na adoção dos novos instrumentos de comercialização. (Entrevista à repórter Vânia Casado).

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