-Está certo que os três meses do ano são um período recessivo no Brasil, por tradição e, desta vez, mais do que nunca, por circunstâncias. Mas as vendas do pequeno varejo não precisavam cair tanto (12,04%), como mostra pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Extrapolada para as demais capitais, a diferença será de poucos pontos, projetando um recuo nacional entre 9,50% e 12% com um indicador médio intermediário de 10,5%. É uma queda de impacto, se se levar em conta que a conjuntura econômica pende para lado do consumo, contemplado pela estabilidade de preços. É o mais alto índice recessivo do período (primeiro trimestre), no Plano Real.
-O consumidor pisou fundo no freio da gastança. Este é o mais confiável indicador da recessão. O outro, mais contundente, é o desemprego, que o governo, até semanas atrás, relutava em reconhecer. Como o desemprego se expressa de forma mais lenta, e porque a sociedade já convive com ele há algum tempo, seu impacto é menor do que o retrocesso no consumo. O desemprego, por acaso, está entre as principais causas do recesso. O desemprego - e o medo de perder o emprego - pautam o comportamento do consumidor na hora das compras.
-De todos os fatores que contribuíram para a crise, os juros foram, sem dúvida, o mais determinante. O governo insiste em operar com taxas altas, fazendo uso do instrumento monetário para, de um lado, evitar a inflação e, do outro, manter investimentos que mantém o equilíbrio das reservas.
-A queda já era prevista na primeira apuração da pesquisa de comportamento do comércio, segundo informa a economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Mônica Hage. As vendas continuam retraídas não só pelos juros ainda elevados dificultando o crédito, mas também pela insegurança quanto ao emprego, a inadimplência e o comprometimento da renda com dívidas assumidas anteriormente.
-A crise pegou em cheio o pequeno comércio em seu amplo espectro: vestuário, alimentos, despesas pessoais, etc. No todo, porém, há exceções. A Abras, que representa os supermercados, diz que neste trimestre as vendas do setor tiveram bom desempenho (+3%). As lojas de departamento também (+6,57%). Mas, neste caso, não está valendo o discurso da competência, apenas o exercício do ‘‘esforço concentrado’’. É que o crescimento está ligado àquilo que o setor chama de ‘‘ampla remodelação’’, que busca atrair consumidores com promoções e ampliação dos dias e horário de funcionamento. Nada de reengenharia, portanto.
-A propósito, vale lembrar que essas promoções são fruto de distorções da economia. O exemplo diz melhor: o leite, no caso, é usado como chamariz para outras compras. O preço do leite tem andado tão baixo, que o alimento, apesar da sua importância, é permanentemente objeto de atração. Observem que as lojas costumam alternar frequentemente suas mercadorias promocionais, mas o leite é o item cativo das gôndolas de promoção. Não é um bom sinal para o produtor, por razões óbvias.Transgênicos
O milho transgênico deve chegar ao mercado brasileiro em 2001. A informação é da Monsanto, que desenvolveu o milho (‘‘Yeldgard’’), o algodão (‘‘Bollgard’’) e a soja (‘‘roundup ready’’) geneticamente modificados.
Avanço
É a evolução da técnica. A soja transgênica - modificada para resistir ao herbicida roundup - deve começar a ser vendida entre 1999 e 2000, após aprovação do governo brasileiro.
Vantagem
Ela possibilita a aplicação do roundup após emergência da planta. Graças a essa característica, o agricultor pode dispensar a aplicação de outros herbicidas, reduzindo custo de produção em torno de 10%.
Impacto
Os produtos transgênicos têm que ter autorização da Comissão Técnica Nacional de Bio-Segurança (CTNBIO). Testes para avaliar o impacto ambiental estão sendo feitos no Paraná e Goiás.
Mercado
As vendas do roundup, carro-chefe da Monsanto, são estimadas em US$ 180 milhões este ano. A soja ‘‘roundup ready’’ está sendo plantada pelo terceiro ano nos EUA em 12 milhões de ha (30% da área).

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