Oswaldo Petrin
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 1998
Liberação adiada 
-O governo decidiu adiar para 1º de novembro a liberação dos preços do álcool hidratado e da cana-de-açúcar. A portaria do Ministério da Fazenda contendo a decisão será publicada hoje no Diário Oficial da União. A liberação de preços deveria entrar em vigor em 1º de maio, mas apelos, principalmente dos produtores de cana, levaram o governo a adiar a liberação por 180 dias.
-Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, o governo levou em consideração a necessidade de o Conselho Interministerial do Álcool (Cima) concluir o diagnóstico do setor sucro-alcooleiro e definir as medidas de reativação do Proálcool como estímulo à renovação da frota antiga dos carros a álcool, bem como dimensionar o tamanho que o programa deverá ter.
-Segundo esses técnicos, com os elevados estoques de álcool provocados pelo excesso de produção nesta safra, a liberação poderia ocasionar uma redução dos preços do álcool, tendo como consequência o risco de desabastecimento no futuro e aumento do desemprego no setor. (Mariangela Herédia, AE).
-O adiamento era o que os produtores e destilaria precisavam. Até novembro há tempo para o setor se organizar e apresentar propostas ao governo, inclusive retomar as negociações com a indústria para recuperar o projeto do carro a álcool nas frotas oficiais.
-Café O diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, disse ontem que a forte demanda registrada no leilão de estoques de café do governo realizado ontem reflete os baixos estoques do mercado e a necessidade da indústria brasileira se abastecer. Conceição disse também que o ágio registrado em todos os lotes é um sinal da forte procura pelo produto.
-Ele explica a menor demanda no leilão de CPRs de café, de apenas 24%, pelo fato desse leilão ter peridiocidade diária e estar negociando café para entrega futura. Segundo ele, o preço médio registrado no leilao de CPR de R$ 140/saca para entrega em setembro é um bom resultado, apesar da grande safra de café esperada este ano.
-O diretor de crédito rural disse também que a instituição já emprestou este ano, apenas no custeio da safra, R$ 5,3 bilhões, um volume cerca de 25% superior aos R$ 4,3 bilhões verificados no mesmo período da safra passada. Ele justificou essa maior demanda por crédito rural devido à maior necessidade de investimento do produtor e ao fato da maioria dos agricultores ter renegociado o perfil da dívida através da securitização. O diretor lembrou que o BB tem R$ 28 bilhões aplicados na agricultura.
-Comentários como este, repercutindo o incontestável equilíbrio dos estoques, não deixa mais dúvida quanto o nível desses estoques, ainda que USDA e a Federação dos Exportadores queiram falsear os números, cada um a seu modo.Chapecó
Pode surgir uma saída para o impasse do frigorífico da Chapecó, fechado em Cascavel. O Grupo Socma (Macri), da Argentina, fez ontem a última proposta para aquisição da Chapecó. E garantiu que é irrecusável.
Chapecó 2
Segundo o presidente da Sociedade Comercial Macri, Francisco Macri, a empresa está em plena negociação e estamos seguros que podemos recuperar a Chapecó. O frigorífico começaria a operar em junho.
Chapecó 3
A proposta está sendo avaliada pelos acionistas e bancos credores. Ninguém divulgou números. Macri afirmou que a Socma chegou ao limite nessa oferta pela Chapecó.
Safra
A safra agrícola vai atingir 79,51 milhões de t neste ano, 2,51% a mais do que no anterior (IBGE). O Centro-Sul e Rondônia, responsáveis por 90% da safra, crescem 2,52%; o Norte e Nordeste (10%) crescem 2,44%. Esqueceram da seca.
Algodão
O IBGE refez as projeções da safra de algodão. A previsão para março
supera em 2% a de fevereiro. O aumento se deve ao crescimento da safra em Mato Grosso, onde o acréscimo é de 23% sobre fevereiro.


