-Conforme o ministro da Agricultura, Francisco Turra, prometeu em Londrina, dias atrás (e ontem no Agrishow), o Conselho Monetário Nacional (CMN) examina, na próxima quinta-feira, a possibilidade de injetar recursos para financiar as operações de mercado de futuro. A medida faz parte da proposta de criar, no próprio mercado, as fontes de recursos para financiar a produção. A fonte, no caso, são recursos externos captados por meio da ‘‘63 caipira’’, como é conhecida a resolução 2148 do Banco Central. O BC está ‘‘costurando’’ a forma mais simples desses recursos financiarem apenas as operações de mercado futuro.
-As bolsas acreditam na aprovação da proposta, tanto que vêm divulgando seus serviços, dando cursos e atraindo vendedores (cooperativas, agricultores e cerealistas).
-Mas, se o governo quiser há outras fontes, que não exatamente o Tesouro. Uma das que estão por ser acionadas, dependendo do CMN, é resolução que eleva de 5% para 10%, o limite de aplicação dos recursos das exigibilidades bancárias (a parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada na agricultura) em Nota Promissória Rural e Duplicata Rural, até setembro. O objetivo é o mesmo: disponibilizar recursos à comercialização da safra agrícola. Para o algodão não haveria limite para NPR ou DR.
-Ainda sobre a reunião do CMN, quinta-feira, pode-se adiantar que haverá outros ‘‘votos’’ do interesse do setor. Um deles vai prorrogar até quinta-feira o prazo para a renegociação das dívidas das cooperativas, que estão sendo analisadas no programa de revitalização (Recoop) criado pelo governo e que envolve recursos de R$ 2,5 bilhões. Se o CMN autorizar, os bancos não vão executar as dívidas das cooperativas enquanto o comitê executivo do Recoop analisa as propostas apresentadas. O comitê tem até o dia 30 para divulgar as cooperativas que serão habilitadas a participar do programa.
-E, ontem, entusiasmado com o Agrishow, o ministro Turra disse que os recursos do custeio da próxima safra receberão um incremento na justa proporção do aumento esperado na safra: 10%. Como na safra 97/98 o crédito foi de R$ 8,5 bilhões, para 98/99 ele prevê R$ 10 bi. É pouco, mas é o que se tem. Tão importante quanto implementar (mesmo que timidamente) os recursos é criar e dar respaldo a novas fontes, como o próprio comércio.
-Todos sabem, porém, que essas medidas anunciadas pelo governo, não passam de paliativos. E o discurso do aumento da produção de grãos não é ambicioso, além de não passar de discurso. Se quisesse, realmente, aumentar a produção, oxigenar a economia no interior e gerar empregos, o governo resolveria rapidamente a questão da dívida (a securitização é ilusória), e adotaria medidas corajosas com relação à importação de milho e algodão, como fez com arroz. Bruxas soltas
As bruxas andam soltas para o produtor de feijão: foi castigado de várias formas principalmente por excesso de chuvas e, agora que ele não tem o produto para vender, o preço explode de fazer inveja a qualquer especulador.
Bruxas 2
O feijão lidera as altas na quadrissemana, com aumento de 60%. A segunda maior alta do período foi para o amendoim (19%), seguido do tomate (9%). A principal queda foi para a cebola (23%). (Agência Folha).
Preço/Fipe
A pesquisa de preços da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgada ontem registrou pressão menor nos preços dos alimentos na terceira
quadrissemana deste mês. A alta foi de 0,29%.
Preço/Fipe 2
Entre as principais quedas registradas pela Fipe estão as da alface (25%) e laranja (7%). O óleo de soja voltou a cair (4%). Já as principais altas do período foram para o tomate (43%) e feijão (13).
Milho/alta
Segundo fonte da Conab, o milho terá outras razões, além das de mercado para ter seu preço aumentado a partir de maio/junho: as perdas por umidade do que está em estoque vão muito além do previsto.

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