Oswaldo Petrin
-Planto Real em plena glória, preços estáveis e o consumismo mergulhado no crediário dos eletrodomésticos e eletrônicos. Consumidor com dinheiro no bolso, o cenário eufórico de 96 mudou o perfil também do consumo de alimentos. Era possível comer melhor, deslocando gastos para artigos de melhor qualidade, ou de rótulos mais caros. O ovo chegou a ser, temporariamente, deixado de lado. O macarrão tinha que ser importado: de melhor qualidade e, às vezes, ao mesmo preço.
-Mas a economia, mesmo mantendo os indicadores da estabilidade oficial, tem suas nuances. Veio a inadimplência e o fim da farra do crediário. O cardápio bem que podia continuar o mesmo, mas o inadimplente declara economia de guerra na cozinha. O ovo se reabilita, como outros artigos baratos. Este cenário encoraja os produtores a tentar contrapor outro lance da economia. Seguinte: ao ter que abdicar dos eletrodomésticos - ou adiar a troca de carro e abreviar as viagens de férias -, o consumidor resolve investir no padrão alimentar. É um novo deslocamento de gastos domésticos. Antes que isto aconteça, e alimentos populares sejam preteridos, a idéia é recorrer ao marketing. O Estado de São Paulo sai na frente e lança a campanha do alimento mais bem embalado do mundo em todos os tempos. Há gancho para tudo e este da boa embalagem natural do ovo é fantástico, embora não seja novo.
-A campanha não é sem motivo: o setor vem tendo um crescimento muito pequeno desde dezembro de 1994. O Brasil consumiu 82 ovos/ano por habitante nos últimos 10 anos, ante 100 ovos em 1988. No mercado mundial, o Japão é o primeiro do ranking, com 347 unidades. seguido de Taiwan com 331 e Hong Kong e México com 277. Os Estados Unidos atingiram 236 ovos/ano.
-A Associação Paulista de Avicultura debita a crise aos altos custos dos insumos sem correspondência com os preços pagos ao avicultor. Em consequência, o descarte de poedeiras aumentou e o alojamento de novas aves foi reduzido.
-O plantel corrobora com a estatística: o Brasil dispõe de 56 milhões de poedeiras, com uma produção em 1997 de 12,6 bilhões de unidades, 20% abaixo do existente em 1996, ocupando o nono lugar, entre países como a China (328 bilhões), Estados Unidos (77,2 bilhões) e Rússia (23 bilhões). Para 98, estima-se um crescimento de 6% na avicultura de postura, alcançando os 13,2 bilhões de unidades.
-As vendas no mercado externo fecharam em torno de 25 milhões de ovos no ano passado, mais que o dobro dos 12 milhões exportados em 1995, constituída essencialmente de produtos industrializados, os ovo líquido e em pó. (Agência Estado/APA).
-Como o ovo, alguns itens do grupo de legumes e verduras ficaram temporariamente esquecidos. Agora, consumidor mais parcimonioso, volta para alimentos que se não são tão chiques, também nunca foram bregas.Milho BM&F





