Oswaldo Petrin
-A agroindústria, compreendendo o campo - setor primário - e o processamento da matéria-prima - secundário e terciário - é o setor que mais gera emprego. Ou, pelo menos o setor que tem mais dinâmica na absorção da mão-de-obra: contrata com a rapidez de cada safra, ao contrário das indústrias metalúrgicas, por exemplo, que demitem rápido e levam muito tempo para repor. Ou simplesmente suprimem a função (posto de trabalho, no bom economês).
-Talvez por esta razão as políticas sociais se preocupam mais com o emprego urbano. Por exemplo, neste final de semana o presidente Bill Clinton (participando do Fórum das Américas) prometeu ajudar o governo brasileiro para evitar que o ABC (onde se concentra a indústria matalúrgica e metal mecânica) se transforme no que ocorrera, trinta anos atrás, na cidade de Detroit: o caos do desemprego. FHC não deve ter tocando num tema que não é menos angustiante: a crise social rural.
-Enquanto a mecanização (necessária) da cana-de-açúcar ameaça dispensar milhares de trabalhadores sem formação, as indústrias de pneumáticos faz acordo para assegurar níveis de empregos. O nível de emprego na linha de produção nas fábricas da Brigdestone Firestone, Pirelli e Goodyear, vai ser mantido pelos próximos 12 meses. Acordo fechado ontem vai beneficiar cerca de 9.500 trabalhadores, de acordo com informações do Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo. Em troca, os trabalhadores terão que abrir mão das ações judiciais.
-Os sindicalistas dirão que foi uma concessão, ou um retrocesso. Não interessa, o emprego está mantido. Mais do que isso: as empresas propuseram um programa de participação nos lucros e resultados de R$ 1.300, reposição integral da inflação anual, manutenção do 14o. salário e de todas as cláusulas da convenção coletiva da categoria. As negociações rolaram na Justiça e, paralelamente, através de entendimentos informais. Porém, o governo não ignorou o que estava ocorrendo e se propôs a intermediar. Excelente.
-Como a indústria urbana, o setor rural espera que esse tipo de intermediação - informal e sem tutela, mas com a autoridade do governo - um dia também lhe beneficie. Não para prejudicar o trabalhador, é claro. Uma boa oportunidade para fazer isso é chamando as partes para negociar a legislação trabalhista, que está sendo apontada como obstáculo à oferta de trabalho. Se bem que muita gente acha que não, como os diretores e associados da Sociedade Rural - a julgar pela participação deles na palestra sobre o assunto, dias atrás, pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Almir Pazzianoto. O ministro tem uma proposta de mudança, diz que tem articulado neste sentido. Só faltou sugerir: iniciem um movimento que eu posso até liderá-lo. Mas ninguém captou a mensagem. Os poucos que falaram, se limitaram a agradar e badalar. Juros





