-Até as 18h30 de ontem o gabinete do ministro Francisco Sérgio Turra mantinha a confirmação da sua presença hoje, em Londrina, com chegada prevista para as 9h30, procedente de Passo Fundo. O ministro deve anunciar algum tipo de recurso para a comercialização da temporada de verão e implantação da safra de inverno, mas ninguém espera muita coisa. Os paranaenses sabem que o dinheiro é escasso.
-Mas nem tudo são dificuldades. Sabe-se que o governo irá aumentar a oferta de crédito para os suinocultores e avicultores. Na reunião do CMN, na próxima semana, será ampliado o limite do saldo para essas operações. O conselho irá votar também a elevação do limite de custeio. A intenção é chegar a R$ 12 mil/agricultor.
-Mas o ministro não virá de ‘‘mãos abanando’’, segundo um assessor, ontem em Brasília: ele deve anunciar a criação de um fundo para financiar as operações de compra e venda de produtos agrícolas em bolsas. Como o governo está quebrado e não vai financiar a produção, a idéia é ampliar o leque de opções de vendas. Alguns desses mecanismos de captação, como a Cédula de Produto Rural (CPR) - instrumento de venda antecipada - foram esmiuçados, esta semana, para operações de café. Mas deve prevalecer para outros produtos.
-Esta semana, durante um encontro sobre comercialização e qualidade do café, em Londrina, operadores de corretoras de bolsas estavam otimistas: é que o governo deve mesmo criar um fundo para financiar as operações de compra e venda de produtos agrícolas em bolsa. A intenção é aumentar as possibilidades de comercialização dos produtos, dando mais alternativas para o agricultor encontrar bons preços. As principais commodities agrícolas como café, soja, algodão e boi são vendidos na Bolsa, porém em escala muito pequena.
-O papel do governo nessa operação não é injetar dinheiro. O fundo, porém, vai financiar os produtores que vendem nas Bolsas. Ele vai funcionar como uma garantia de preço, uma espécie de cheque especial. Toda vez que o preço cair, o produtor entra com dinheiro para cobrir essa queda e só vai pagar os juros sobre o valor que foi emprestado. A Bolsa tem uma compensação diária para esse tipo de contrato e isso é feito para dar credibilidade aos contratos. A proposta foi aprovada esta semana pelo grupo de coordenação de política
agrícola, com representantes da área econômica do governo e dos bancos
públicos.
-Os recursos para formar o fundo serão captados no exterior, com taxas de juros mais baixas. O ministro Turra disse às agências de notícias no início da semana que US$ 50 milhões deverão ajudar a comercialização da safra na Bolsa. No caso do café, foram negociados R$ 3,5 bilhões em 97. ‘‘O produtor irá plantar para vender e não vender para plantar’’, afirmou. A frase de efeito logo foi repetida em Londrina pelo técnico Edilson Alcântara do Banco do Brasil.Boi SP

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