Oswaldo Petrin
-Grandes atacadistas querem tirar proveito das chuvas que ocorrem na zonas produtoras de feijão. Mesmo sem prejudicar as lavouras, as chuvas são argumento para exercício especulativo. Por exemplo: estão dizendo que elas dificultam o escoamento da produção. O preço só não deu um salto porque o mercado é que está encharcado do produto. A onda especulativa nasce na Bolsinha Paulista, um mercado informal forte que dita os preços para todo o País. A mesma imprensa que dá informação baseada na versão (suspeita) dos especuladores, não se informa sobre a extensão do estrago. No caso do Paraná, o feijão de cor, alvo da especulação, já foi colhido e nada tem a ver com a chuva dos últimos dias.
-Outros redutos de especulação, as Centrais de Abastecimento, têm mais facilidade para emplacar suas informações. As verduras, não todas, parecem mais sensíveis ao excesso de chuvas, se não isto, pelo menos há verduras todo ano para serem atingidas por variações de clima. Não se considera os recursos que atenuam o impacto, como a produção em estufas, por exemplo.
-Verduras e frutas podem ficar até 10% mais caras em janeiro, mas essa alta não é uma tendência e os preços desses produtos devem ficar pelo menos estáveis nos próximos meses. As chuvas reduziram a oferta e chegaram a atrapalhar o transporte de outros alimentos, como carne. Esse, no entanto, é um problema típico dessa época do ano, lembram especialistas, para os quais a expectativa é que as despesas com alimentação fiquem praticamente estáveis no primeiro trimestre.
-Em São Paulo, o comportamento da cesta básica é um indicativo de que a elevação dos gastos com comida é passageiro. No mês, o custo da cesta básica _ até terça-feira _ já havia recuado 1,88%, segundo levantamento diário do Procon paulista. Na terça-feira, os preços dos alimentos pesquisados haviam recuado 0,48%. Esse efeito dos alimentos em janeiro é muito sazonal, lembrou o economista Leonardo Rangel, da MCM Consultoria, em entrevista à repórter Salete Silva, da Agência Estado.
-Segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), os preços dos alimentos subiram 0,46%, na primeira quadrissemana de janeiro (30 dias terminados em 15 de janeiro). Os preços da comida in natura subiram bem mais: 3,65%. Rangel prevê que na terceira quadrissemana do mês, a correção no custo desses alimentos deve chegar a 7% e no final do mês a 10%. A tendência se inverte a partir daí. Nos próximos meses, mesmo que os preços desses produtos fiquem apenas estáveis, o impacto já é menor na inflação, afirma à AE. O economista prevê para fevereiro um reajuste de no máximo 1% nos preços das verduras e frutas. A pressão dos alimentos sobre a inflação está muito localizada nos in natura, concorda Heron do Carmo, coordenador da pesquisa do IPC da Fipe.
Produtos in natura,
semi-elaborados e
industrializados
tendem a recuar
Milho/preço





