Oswaldo Petrin
-O novo imposto que entra em vigor hoje, mal-disfarçado de contribuição provisória (CPMF), atinge a todos. Diante desse novo confisco, pessoas físicas e agentes econômicos das cadeias agribusiness devem tomar a mesma atitude que os demais segmentos, ou seja tentar se defender como podem. Embora sejam poucas as operações isentas - a incidência é muito abrangente - há algumas formas de contornar a cobrança ou reduzir o impacto no seu bolso. Neste caderno de Economia o leitor terá uma série de dicas. Na realidade, fugir do imposto agora não significa muito para quem terá de recolhê-lo por mais de um ano.
-Para quem gosta de transformar limão em limonada, é só acreditar na tese do ministro da Agricultura, Arlindo Porto. Ele trabalha com a expectativa de que a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) poderá injetar recursos da ordem de R$ 700 milhões a R$ 1 bilhão na agricultura brasileira. Esta expectativa estará sendo debatida hoje na reunião do grupo de coordenação de Política Agrícola.
-O coordenador da área agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Evandro Fazendeiro, acredita que, independentemente da cobrança da CPMF, o fundamental é que a estabilidade econômica está resgatando essa importante fonte de financiamento da agricultura, que são os depósitos à vista. A queda da inflação está acabando com as aplicações de curto prazo e a exigibilidade de aplicação dos depósitos à vista no crédito rural volta a ser um importante mecanismo para a agricultura, avalia.
-O primeiro item da pauta prevê uma avaliação sobre o aumento dos depósitos compulsórios e as aplicações das exigibilidades bancárias na agricultura. Alguns técnicos que participam do grupo de Política Agrícola acreditam que ainda é prematuro arriscar uma previsão sobre o aumento dos recursos para o crédito rural a partir das exigibilidades bancárias - 25% dos depósitos à vista que os bancos tem de aplicar na agricultura.
-Conforme a Agência Estado, na reunião de hoje do grupo de coordenação de Política Agrícola será discutida também a antecipação da entrega de produtos para pagamento da primeira parcela da securitização das dívidas. O vencimento é em outubro, mas o governo estuda o recebimento antecipado dos agricultores que quiserem pagar a dívida com produtos. A intenção é enxugar o mercado de milho que está com os preços abaixo do mínimo (R$ 6,70 por saca). O governo começaria a receber agora o produto para colocá-lo à venda no segundo semestre.
-Outra opção a ser definida na reunião será a de se fazer Empréstimos do Governo Federal sem Opção de Venda (EGF/SOV) de milho para as indústrias comprarem o produto. Na pauta da reunião também constam uma avaliação sobre as dificuldades para a aplicação do crédito para investimentos no Pronaf.
A lógica é a de
tirar com duas
mãos e devolver
com apenas uma
Título/protesto





