Oswaldo Petrin
-Em geral, tanto Estados Unidos como Europa não transigem na proteção do seu mercado, principalmente quando o setor a ser preservado é a produção de alimentos. Mas ontem, a imprensa divulgou entrevista do representante-adjunto de Comércio dos Estados Unidos, Peter Allgeier, em que ele afirma que o governo do seu país admite rediscutir medidas protecionistas internas contra produtos agrícolas da América Latina, especialmente brasileiros.
-Isto pode refletir no comportamento da próxima safra da soja. Essas medidas poderão ser colocadas na mesa de negociações para a formação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), disse Allgeier, durante videoconferência de duas horas, a partir de Washington.
-Ao responder à pergunta de um jornalista argentino, ele disse que os EUA são o mais significativo exportador de produtos agrícolas do mundo e vêm sofrendo barreiras comerciais dos países da América Latina. Para que essas barreiras sejam revistas, o governo do seu país aceita oferecer
maior acesso ao mercado norte-americano. (Conforme informa texto da repórter Eliane Cantanhêde, da Agência Folha.
-O interlocutor em Brasília foi o ministro Ruy Carlos Pereira, chefe do
Núcleo de Acompanhamento da Alca no Itamaraty, que perguntou principalmente sobre a não-aprovação do fast track (autorização para o presidente Bill Clinton fechar acordos comerciais sem aval prévio do Congresso).
-Allgeier respondeu que, de fato, os EUA detectaram em vários países muita decepção com o fato de o governo Bill Clinton não ter obtido o fast
track . Tentou, entretanto, minimizar o efeito. Em determinado prazo, vai acontecer, mas no início não é vital ter o fast track, declarou ele, antecipando uma espécie de prazo final para que isso ocorra: 2004.
-No final do processo, em 2004, se não tivermos fast track, aí, sim,
poderemos criar uma incerteza quanto à nossa capacidade de concluir negociações, disse. Pereira questionou o prazo de 2004, lembrando que na reunião de vice-ministros, no mês passado, em São José da Costa Rica, ficou acertado que haverá progressos concretos até o ano 2000. Para Allgeier, o cronograma prevê facilitação de negócios entre 98 e 99, e isso significaria, por exemplo, a criação de normas e facilidades alfandegárias semelhantes nos diversos países.
-Acrescentou que haverá uma espécie de campanha educativa sobre o fast
track junto à população. E ensaiou: Cerca de 60 milhões de cidadãos
norte-americanos mantêm investimentos em ações. Essas ações só vão dar
bons lucros se as empresas crescerem, e as empresas só vão crescer com o comércio internacional.Cocamar Citrus





