Oswaldo Petrin
-A Federação do Comércio do Estado de São Paulo está programando para a segunda quinzena do mês, uma cruzada nacional pela redução das taxas de juros. Em contrapartida, o varejo promete tornar mais civilizadas as taxas cobradas no crédito ao consumidor. E espera que os bancos tomem idênticas medidas. A articulação da campanha ainda está começando e nem foi divulgada oficialmente, mas espera a adesão de representes de outros segmentos. A finalidade é mostrar ao governo que o comércio, a indústria e até o setor financeiro estão propensos a reduzir os juros. O que esperam, desta medida, é que o governo também sinalize com redução. Ou, pelo menos, que programe metas de crescimento para o segundo semestre contemplando taxas menores.
-Enquanto isso, um documento elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgado ontem pela imprensa, mostra que os pleitos ao governo pela redução dos juros bancários estão menos tensos. A entidade espera uma redução das taxas básicas de juros de 28% para 24% ao ano já a partir do próximo dia 15. A medida depende de aprovação na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), naquela data. A Confederação da Indústria avalia que a redução será menor do que a verificada em fevereiro porque os patamares de juros também são menores. Segundo a CNI, em janeiro, a Taxa Básica do Banco Central estava em 32,5% e o governo decidiu diminuir a taxa em 6,5 pontos percentuais. Na avaliação dos empresários, as medidas adotadas pelo governo após a crise Asiática foram bem sucedidas, mas a manutenção dos juros em patamares superiores aos de outubro de 97 não se justifica.
-Segundo o documento, embora os indicadores de atividade industrial revelem um comportamento melhor que o esperado no primeiro trimestre, o nível de produção segue abaixo do observado antes da crise. Para a CNI, o ajuste fiscal continua a ser o grande problema da equipe econômica a médio prazo. As perspectivas para as contas públicas são pouco animadoras para este ano e mesmo para 1999 é difícil esperar, sem um esforço adicional, uma redução significativa do déficit nominal do patamar alcançado em 97, 6% do Produto Interno Bruto.
-Os melhores argumentos para redução dos juros estão em documento encaminhado ao governo no início do ano pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo, numa espécie de antídoto contra a crise recessiva que se abateria sobre as atividades econômicas no primeiro trimestre do ano. Entre outros pontos são relacionados: 1) redução do nível de inadimplência, 2) aumento da atividade econômica estancando a onda de desemprego, 3) manutenção dos níveis de demanda e produção industrial do setor elétrico e eletrônico, 4) redução dos custos das atividades produtivas, principalmente nos setores primários e de prestação de serviços. O pacto não decolou e nada disso aconteceu. Em compensação a inadimplência bate recorde.Milho/alta





