-Se no âmbito do consumo o Plano Real ainda tem uma amplo vazio a ser preechido com alimentos básicos - pois o nível de carência ainda é alto, como mostram as estatíscas de consumo per capita de proteínas vegetal e animal -, no âmbito comercial, parece que a fronteira está se esgotando. Com exceção de bolhas de consumo e dos picos - como festas de final de ano -, a demanda está estável e acena crescimento magro em 98.
-Um dos parâmetros para aferir o consumo é o desempenho da produção indústrial. Desde o segundo trimestre do ano passado o crescimento tem sido apenas ‘‘vegetativo’’, ou seja não apresenta saltos, como nos três primeiros anos da estabilidade econômica.
-E não se confirma a hipótese de aumento no consumo de comida supostamente motivado pelo deslocamento do orçamento familiar. Seguinte: com o agravamento da inadimplência, admitia-se a queda nas compras de bens duráveis, em favor de uma dieta mais qualitativa ou quantitativa. A inadimplência de quem comprou eletrodomésticos, móveis e eletrônicos é visível. Nem por isso, porém, a renúncia à compra desses bens beneficiou o setor alimentos.
-Vejamos o que sugere o indicador recente: a produção da indústria de alimentos fechou o mês de fevereiro com queda de 4,58% sobre janeiro. No entanto, o resultado ficou 3,48% acima do registrado em idêntico período de 1997. Nos últimos doze meses o desempenho alcançou incremento de 0,9%. A previsão é saltar para 1,2% em março. O faturamento, porém, está 3% inferior ao atingido nos doze meses imediatamente anteriores. Convenhamos que no mês de janeiro o aumento foi de 6,35% sobre dezembro e 8,9% sobre mesmo mês de 1997. Mas a média é estável. Os dados constam da pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria (Abia).
-No ano passado, revela a pesquisa, os setores que mais cresceram foram os produtos básicos e de menor valor agregadado. A linha de cereais, por exemplo, teve a produção acrescida de 8%. Conservas vegetais aumentou 13%. Laticínios, ao contrário, teve retração de 6,5%. O cenário deverá se repetir compressão da massa salarial associada ao desemprego está obrigando o consumidor a comprar apenas o básico (AE).
-Segundo a pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), referente ao mês de fevereiro deste ano, havia na região metropolitana de São Paulo 1,470 milhão de desempregados contra 1,414 no mês anterior.
-A queda da receita ficou por conta dos reajustes de matéria-prima impedindo a indústria de repassar os custos em função da acirrada concorrência, segundo fonte da Abia. A estratégia das empresas tem sido a diversificação do mix para aumentar vendas (AE).Ximenes

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