-Enquanto a maior indústria de derivados de leite do Uruguai se queixa das restrições impostas pelo Brasil à entrada do produto do Mercosul (matéria principal desta página), estudo mostra que o trigo, outro item das importações que estrangulam a produção interna, exige igual tratamento. Mas os dados deixam claro que a batalha é difícil, quase ingrata e talvez os produtores tenham de amargar a concorrência por mais esta safra.
-As condições de financiamento na importação do trigo argentino deram um ganho de no mínimo US$ 63 milhões em 1997 para o setor importador. A informação está contida em estudo realizado pela Ocepar, que analisou as importações de trigo e farinha argentina feitas no ano passado. As importações totalizaram 5,886 milhões de t em 1997, sendo 5,286 milhões em trigo em grão e 640 mil t em farinha. ‘‘Analisamos apenas a questão dos juros e as conclusões são de que as vantagens oferecidas pela importação vão prejudicar seriamente a triticultura nacional’’, disse o técnico da Ocepar, Flávio Turra, em entrevista ao repórter Eduardo Magossi, da Agência Estado.
-O custo anual com juros do importador de trigo atinge entre 9% a 12% enquanto o custo do juro para quem compra o produto internamente chega a 26,8%. O estudo da Ocepar revela que, do total de trigo importado da Argentina no ano passado, 53% dos importadores obtiveram prazo de pagamento superior a 1 ano, 28% obtiveram prazo de pagamento até seis meses e os 19% restantes obtiveram um prazo entre seis meses e 1 ano. No Brasil, o prazo médio é de 15 a 30 dias. O estudo foi concentrado nos 53% dos importadores que obtiveram prazo superior a um ano. Segundo Turra, estes importadores realizaram compras de US$ 421 milhões, com uma economia de US$ 63 milhões em relação aos que compraram o produto internamente. ‘‘Este ganho daria para adquirir um volume adicional de 410 mil toneladas de trigo, que é 17% da safra brasileira’’, disse Turra. Segundo ele, esta é a principal causa da redução de 15,76% nas intenções de plantio de trigo no Paraná para a próxima safra, divulgada esta semana pelo Deral. Desta forma, o triticultor vai precisar sempre do subsídio do governo para comercializar sua produção.
-O mercado de trigo trabalha com a expectativa de que, em 1998, as importações da Argentina ultrapassem as 6 milhões de t. ‘‘O governo não está acenando com possibilidades de se alterar a forma de financiamento de trigo e a vantagem argentina deve continuar’’, disse Flávio Turra, da Ocepar. Traders do mercado informam que, neste momento, moinhos brasileiros de menor porte estão se unindo para importar trigo argentino. Eles dizem que estes moinhos estão fechando entregas mensais do produto para os próximos três meses. ‘‘Não há oferta do produto brasileiro no momento e os preços argentinos estão atraentes, com uma desconto em relação ao nacional de até US$ 50’’, informa Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico. Para Turra, os produtores que ainda possuem trigo estão segurando seus estoques na expectativa de conseguir melhores preços quando a safra argentina acabar.Álcool/mistura

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