-Saiu ontem o resultado de uma parcial da inflação de janeiro (segunda quadrissemana do mês, medindo os preços dos últimos 30 dias terminados em 15 de janeiro). Pode ser interpretado como alerta para quem aposta tudo na estabilidade econômica. É que a inflação subiu nesse período e esta variação, com certeza, transparece no índice do mês fechado. Portanto, o ano começa com inflação que, embora pequena, sugere atenção por ultrapassar os níveis que vinham prevalecendo até agora. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe) teve alta de 1,27%. Na quadrissemana anterior, o IPC havia subido 0,78%. Na linguagem dos economistas os números já vêm sendo chamados de aceleração.
-Essa ‘‘aceleração’’ de 0,49% é resultado da correção das tarifas de combustível e dos aumentos das mensalidades escolares. Mas o que mais repercute é mesmo a alta dos combustíveis, informa o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa da Fipe.
-Como se vê, quem puxa a inflação são os combustíveis. Como nos velhos tempos, a Petrobrás dá o pontapé inicial e tudo que vem a seguir é consequência porque os preços dos combustíveis permeiam os custos de todos os demais agentes econômicos. Também como nos velhos tempos, a culpa é invariavelmente das tarifas públicas.
-O governo quebrou a agricultura para implantar e dar sustentação ao Plano Real. Aí vêm os preços da Petrobrás e começam a minar o Plano. Alguém tem dúvida que é assim?
-O custo de vida deve subir um pouco mais na próxima quadrissemana e provavelmente deverá atingir o maior percentual de 1997. Mas, passado o impacto dos aumentos dos preços do álcool e gasolina, a inflação deve recuar até o final do mês. A previsão dos técnicos da Fipe é de uma alta de 1% este mês. Deve ficar em 1,2%, calcula Heron do Carmo.
-Até agora, o preço da gasolina já teve reajuste médio de 14,4% e o do álcool 17,9%, segundo a Fipe. Só os combustíveis contribuíram com 0,71% na alta do IPC, na segunda quadrissemana do mês. A partir da próxima semana, o impacto vai ser menor e a expectativa é que os preços dos combustíveis se acomodem a partir do próximo mês.
-Até a quadrissemana anterior, os preços dos alimentos estavam em queda. O último recuo registrado foi de 0,46%. Na segunda quadrissemana de janeiro, no entanto, a tendência se reverteu e os alimentos ficaram em média 0,46%. ‘‘Isso significa um impacto de 1%’’, lembra Heron do Carmo. A maior alta foi do preço da comida in natura, que teve reajuste médio de 3,65%. ‘‘Mas isso era previsível por causa das chuvas de janeiro’’, ressalta. Os preços dos industrializados continuam em queda (-0,34%). E os preços agrícolas também.



Real quebra agricultor
para manter preços.
Mas Petrobrás aumenta
gasolina em 14,4%

Café: R$ 168!
-Uma coisa são as médias, outra, diferente, são os preços disponíveis. O preço disponível do café (em SP, tipo 6 bebida dura) atingiu ontem R$ 168,82/saca, alta de 1,23%. Em dólar, o indicador subiu 1,27% e ficou em US$ 159. Fonte: escritóiro da BM&F em Santos.
Soja
-As exportações do complexo soja renderam US$ 4,88 bilhões ao Brasil em
96. Esse valor é recorde e supera em 9,45% o registrado em 95 (US$ 4,46 bilhões), segundo dados da Secex e da Abiove.
Soja 2
-A exportação de soja em grão em 96, rendeu US$ 1,76 bilhão, 72% mais que em 95. Já as vendas externas de farelo (US$ 2,47 bi) e as de óleo (US$ 648 mi) caíram 9% no período.
Soja 3
-Segundo a Abiove, o esmagamento de soja somou 17 milhões de toneladas de fevereiro a novembro de 96. A produção de farelo ficou em 13,3 milhões de toneladas e a de óleo, em 3,2 milhões de t.
Boi gordo
-Sindipec informa (e contesta informações sobre queda no preço do boi): os melhores negócios com boi voltaram a ser feitos em R$ 25 a arroba ontem no Estado de São Paulo. A alta ocorreu devido à pequena oferta.

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