Oswaldo Petrin
-Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria: o desemprego deve se agravar até o ano 2000, especialmente nas áreas administrativa, por ser mais terceirizável e por ser um setor mais factível de enxugamentos. Outra pesquisa, esta encomendada pela Associação Comercial e Industrial de São Paulo, revela que 40% das pessoas em atraso com seus compromissos no comércio (prestação, cheques sem provisão de fundos, inadimplência declarada), alegam que ficaram desempregadas nos últimos oito meses.
-O que estas pesquisas têm em comum?. Fundamentalmente o desaquecimento da economia, determinado, em parte pela política de arrocho monetário, com taxas de juros altas e pelo câmbio irreal. Com menor contribuição, vêm a substituição da mão-de-obra pela automação (industrial) e a terceirização (industrial e comercial), que são duas variáveis intrinsecas pois tanto uma como a automação decorrem de contingências do mesmo quadro macroeconômico. E, embora a automação sugira investimento, não se pode negar que este processo também resulta em fechamento de postos de trabalho.
-A cada dia, novos indicadores sinalizam a necessidade de ajustes no plano. Como todos eles têm implicações sociais, seus impactos são suficientemente fortes para contrapor a boa performance da estabilidade dos preços. E aqui a realidade denota nítida distinção: que a estabilidade é de preços e não da economia. Logo o custo da estabilidade é demasiado alto. É hora de os gestores do Real transigirem um pouco e admitirem ajustes localizados, de baixo impacto sobre o todo. Dizem que algumas medidas, embrionárias, estão em gestação no Ministério da Fazenda e podem acontecer ainda no primeiro semestre.
-Sobre a pesquisa, algumas constatações que ajudam a formar o perfil do consumidor: as pessoas com renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000 representam a maior fatia no grupo de inadimplentes (25%). Aquelas com salários entre R$ 700 e R$ 1.000 somam um pouco menos, 19%
-Os dados coletados entre as 516 empresas mostram que houve uma queda no emprego industrial de 12% no período 1992-96 entre os 22 setores pesquisados (incluindo serviços) - embora a pesquisa tenha sido realizada entre 97 e 98. Apenas três setores escaparam da queda nos postos de trabalho: madeira e mobiliário, material elétrico e de comunicação e correios, que cresceram entre 9,5% a 10%. A redução mais forte ocorreu na construção civil, com 33,8%, sendo que as áreas extrativa e mineral, vestuário, têxtil, mecânica, editorial e gráfica, papel e celulose tiveram queda superior a 20%. (AE).
-Também pode-se concluir que a dispensa da mão-de-obra por enxugamento, falseia a idéia de que ela é consequência da automação. É que a pesquisa também indica que o desemprego acontece mais por conta da terceirização de atividades e de corte de gastos do que pela modernização tecnológica propriamente dita.Dívidas





