-A redenção das microempresas está embasada na mudança do Estatuto, em tramitação no Congresso. Não que elas venham, através do novo estatuto, a se livrar das amarras burocráticas ou da excessiva carga tributária que afeta a tudo e a todos. A torcida pela aprovação das mudanças repousa exclusivamente num capítulo que confere às micro prioridade nas compras governamentais em contratos de até R$ 100 mil. Há outros benefícios, justos. Mas o setor está de olho mesmo é neste espaço para ser fornecedor de bens de consumo ao setor público.
-O mercado é portentoso: em torno de R$ 100 milhões/ano nas três esferas, segundo a Fundação Getúlio Vargas. As micros também querem abocanhar este mercado. Aliás, quem não quer? fornecer para setor público deve ser mole, por razões que a maioria conhece. E as micro ainda ficarão isentas da apresentação de garantias nos contratos de valor inferior a R$ 30 mil. Nas operações feitas com o poder público, é claro.
-Além de um gigantesco mercado, prefeituras, estado e órgãos federais são uma clientela cordata, generosa, pouco exigente. É o cliente que todo viajante gostaria de ter do lado de dentro do balcão. Não tem tempo ruim para comprar. Sofrem aquelas instituições que estão fora das benesses de quem está no poder, mas chegam a ser exceção. De modo geral, qualquer que sejam os governantes, estes passam e seus discursos mandando economizar, também. Fica um estado sempre comilão, guloso, representado na figura do elefante. Este é permanente. É a máquina, saco-sem-fundo. Quem não gostaria de fornecer qualquer coisa para a sede do governo; ou para a Petrobrás? Quem é que não quer ter um cliente assim?. Abrir para a pequena empresa este filão é justo, até como forma de pulverizar melhor a riqueza.
-Mas, certamente não será transformando o microempresário em fornecedor-servidor público que o problema dele será resolvido. Melhor seria fazer os ajustes que o plano econômico está pedindo e, assim, tentar gerar empregos. Com os ajustes que todos clamam a produção aumenta e a massa salarial também. O aumento do consumo é uma consequência natural. Este sim é um crescimento sólido. E, convenhamos, mais gratificante. Se começar pelo setor primário e agroindústria, a resposta será ainda mais rápida. Mas o caminho político é mais rápido e fácil. Em ano eleitoral, então, a eficácia é indiscutível.
-Abrir para a micro empresa a oportunidade de negociar com o governo, ou criar alguns instrumentos legais que as privilegiam, ainda que socialmente correto, é medida que se abeira do paternalismo. É fazer do Estado o grande gerador de riquezas. É referendar a prática de que, definitivamente, quem não é empregado do governo, sobrevive de algum tipo de negócio com a prefeitura, o Estado ou a União. Algum tipo de relação que, em geral é passível de revisão, saneamento ou, em alguns casos, moralização.Açúcar/álcool

mockup