Oswaldo Petrin
Três das decisões aprovadas ontem pelo Conselho Monetário Nacional criam mecanismos que canalizam recursos para a produção. Uma acaba com a farra dos bancos na aplicação de empréstimos externos, através da chamada 63-Caipira (resolução 2.148).
Seguinte: a resolução 2.148 faculta às instituições financeiras captar recursos no mercado externo e destiná-los ao financiamento a produtores rurais (pessoas físicas e jurídicas) e suas cooperativas de custeio, investimento e comercialização da produção agropecuária. O recurso captado também pode ser destinado ao financiamento de agroindústrias e exportadores para aquisição de produtos agropecuários, desde que vinculado à quitação de débitos relativos a operações de crédito rural, de responsabilidade de produtores e suas cooperativas, pelo valor correspondente.
com o aumento das taxas de juros, o capital que ingressava no País a partir daquela portaria estava sendo aplicado quase que integralmente em títulos do governo com correção cambial. Com um spread gordo, obviamente que o dinheiro não chegava ao setor rural, onde teria taxas menores. Mesmo assim, como o governo é generoso, foi mantida a flexibilidade, ficando uma margem para que o investidor/especulador possa utilizar a 63 para obter ganhos com o diferencial de taxas de juros.
Mas, ao impor o limite de 50% para aplicação dos recursos captados no exterior, o Banco Central deu um passo importante. Tanto que o setor rural gostou desta mudança das regras da resolução 2.148. A medida anunciada ontem na reunião do CMN obriga a aplicação no setor agropecuário de 50% dos recursos captados no exterior através dessa linha. A verdade é que o dinheiro obtido lá fora - mais barato - não podia mesmo servir apenas para girar em operações financeiras, que só geram lucros para os bancos. Os especuladores que trabalham com títulos do governo estavam usando exageradamente os recursos para aplicação de curto prazo. Agora só podem usar 50%.
É uma captação portentosa: nos dois primeiros meses deste ano - segundo a Agência Estado -, o ingresso via 63-Caipira chegou a US$ 3,36 bilhões, dos quais US$ 2,5 bilhões entraram somente em fevereiro. Este mês, segundo o diretor do BC, os pedidos de autorização para captação já estavam mais baixos. Fontes do BC asseguram que estas autorizações superam US$ 800 milhões. Agora o fluxo vai cair substancialmente, segundo previu ontem um diretor do Banco Central. (Detalhes na 1ª página da Economia).
Esclarecimento do Banco Central garante que, antes de outubro, ou seja, no período que antecedeu os efeitos da crise asiática na economia brasileira, entre 80% e 90% dos recursos da 63-Caipira chegavam ao setor rural. Ou seja, apenas 10% ou 20% ficavam aplicados em títulos cambiais. Serrana





