-A Conab que tenha paciência, mas desta vez, exagerou nas estimativas de produção de milho. O técnico Mike Blackford, Commercial Account Maneger, da Famers Commodities Corporation - é no mínimo uma pessoa bem-informada. No mínimo. Os números que Mike apresentou em Londrina e Cascavel, sobre a safra brasileira de milho, são maiores que os da Conab. Mike representa a empresa que está em primeiro lugar em volume de comercialização na Bolsa de Chicago.
-Até aí, divergências normais. Mas o professor Fernando Homem de Melo, outro especialista em economia agrícola da USP, contesta. Ele considerou muito alta a estimativa da Conab para a produção de milho este ano, indicando 32,566 milhões de toneladas para as duas safras. Segundo ele, a expectativa era de uma quebra de pelo menos 600 mil t na safra de verão da região Centro-Sul, mas pelos números da Conab, isso deve ter sido compensado por um bom desempenho no Nordeste e por um aumento na produção da safrinha, a chamada segunda safra.
-Conforme o levantamento da Conab, a primeira safra deve produzir 27,380 milhões de t e a safrinha, 5,186 milhões de t. Homem de Melo ressalva que a estimativa para a segunda safra é bem superior ao resultado de 97 (3,998 milhões de t). Ele disse que o número da Conab para a produtividade da safrinha é ‘‘generoso’’, pois ultrapassou até o de 96, quando as condições climáticas foram extremamente favoráveis.
-A previsão da Conab é de que a safrinha em 98 terá uma produtividade média de 2.316 kg/ha. No ano passado, o rendimento foi de 1.995 quilos e em 96, de 2.170 quilos. ‘‘Essa é apenas uma primeira estimativa do que seria a produtividade, já que o plantio está só começando’’.
- Compra de trigo O ministro Porto disse ontem que o governo pretende comprar 120 mil t de trigo, a partir da próxima semana, especialmente de produtores do Paraná e Rio Grande do Sul. O objetivo é elevar o preço do trigo, que está abaixo do mínimo (R$ 157,00/t), estabelecido pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Esta é a primeira interferência do governo, este ano e será feita através de AGF.
-Lácteos/importação O Brasil decidiu aumentar a alíquota do Imposto de Importação de produtos lácteos, dos atuais 27% para 33%, e limitar em no máximo 30 dias o prazo para o pagamento das compras. A medida, destinada a proteger o produtores nacionais, foi acordada ontem na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado à Presidência da República. O Ministério da Agricultura tem recebido pressões para proteger um setor que enfrenta dois problemas: preços internos pouco competitivos em relação à Argentina e a invasão de produtos da União Européia e da Austrália. Açúcar/IPI

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