Oswaldo Petrin
Perdendo para a China
- A tecnologia brasileira em produção e industrialização do frango é de ponta e altamente competitiva, fator de orgulho para a cadeia avícola. Mas fica difícil competir com a China, que tem mão-de-obra quase de graça. A informação que circulou ontem indica de que o Brasil deve perder para a China o posto de segundo produtor mundial de frangos. Apesar de uma estimativa de produção recorde para 96, de 4,081 milhões de toneladas, em relação ao ano passado o aumento da produção foi insignificante, conforme estudos da Associação Paulista de Avicultura, divulgado pela Agência Estado. Enquanto a produção mundial cresceu 6%, a produção doméstica cresceu apenas 0,78%.
- Em 95, o Brasil produziu 4,05 milhões e a China, 3,3 milhões de t. Mas os números do USDA, citados pela APA, mostram que a China deve fechar 96 com 4,4 milhões de t de frango. O aumento dos custos, principalmente com insumos foi o responsável pelo menor ritmo de produção este ano no Brasil, já que desencorajou um maior alojamento de pintos. De janeiro a agosto, o setor trabalhou com prejuízo e só agora começa a se recuperar.
- Para o próximo ano a perspectiva é de um crescimento de 3% a 5% no número de aves alojadas no Brasil. Para acompanhar o desempenho da produção mundial, produção a brasileira precisa crescer no mínimo 3%. Com uma produção menor do que se previa e com um aumento de 30% nas exportações, que devem atingir 550 mil toneladas este ano, o consumo per capita de carne de frango também diminuiu, segundo a APA. No ano passado, ele foi de 23 quilos, e deve fechar 96 nos 22,3 quilos. Essa é maior redução registrada desde 88, quando houve uma queda de 4,8% em relação a 87, de acordo com associação.
- O estudo realizado pela APA aponta ainda a estabilidade econômica, que modificou o comportamento do consumidor em função das ofertas de proteínas animais como um dos principais motivos para o menor consumo. Os preços mais baixos da carne bovina também contribuíram para a redução no consumo de frango.
- A China deve derrubar o Brasil também do posto de segundo maior exportador mundial, que o País está recuperando este ano. A expectativa da APA é de que isso ocorra em 97, quando Hongcong passa para o controle da China. Juntos, China e Hongcong devem exportar mais de 1 milhão de t no próximo ano, ultrapassando o Brasil, na avaliação da APA. (Entrevista do superintendente da entidade à repórter Alda do Amaral Rocha, da AE). Hoje, os Estados Unidos são os maiores produtores e exportadores mundiais, com 12,07 milhões de t e 1,82 milhão de t.
- As exportações mundiais de frango cresceram em função da chamada crise da vaca louca, que fez aumentar a demanda por este tipo de carne. Com isso, o Brasil ganhou novos mercados, como Rússia, Cuba e Irã e aumentou sua participação no Oriente Médio e Extremo Oriente, já que a França, o segundo maior exportador em 95, centrou seus negócios na União Européia.Debate
- O diretor executivo da Secretaria de Planejamento da Presidência da República, Martus Tavares, fala dia 29, às 20 horas, no CCH da UEL sobre Planos e Metas do Governo. Ele foi professor de Economia da UEL.
Debate 2
- Martus é convidado da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná. O presidente da AEA/LD, Dionísio Gazziero, informa que após palestra haverá debate sobre o tema quando a platéia poderá formular perguntas.
Nova queda
- O preço do boi gordo à vista caiu 0,04% ontem, com a cotação de R$ 22,52/arroba. Em dólar, a queda foi de 0,09% (US$ 21,84). A prazo, o preço caiu 0,30% e ficou em R$ 23,25. Os dados são da Esalq/USP. Quando o boi cai o suíno desaba.
Açúcar
- O preço disponível de açúcar cristal ficou ontem em R$ 12,82/saca de 50 quilos, alta de 0,08%. Em dólar, manteve-se estável, em US$ 12,43. O indicador, que reflete o preço médio do açúcar é elaborado pela Esalq/USP.
Soja Fipe/BM&F
- O Preço Nacional da Soja, calculado pela Fipe/BM&F, ficou ontem em R$ 17,24/saca, alta de 0,52%. Em dólar: 16,72/saca, alta de 0,48%. O preço refere-se à média geométrica ponderada do valor cobrado por 74 atacadistas.





