-‘‘Em 1997 existirá ambiente para taxas de juros menores. Há muita gordura a ser queimada no componente da intermediação financeira’’. Afirmações do presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, estão sugerindo que o governo vai intervir de forma mais firme para redução das taxas de juros (‘‘Em algum momento o País terá de explicar os limites do banco na política monetária’’). O presidente do BC ressalva, porém, que o governo não pode fazer uma política ‘‘irresponsável’’ de baixa de juros sem nenhuma base técnica. ‘‘É preciso também dizer que não somos reféns de política nenhuma, muito menos da de juros. Claro que se tivéssemos uma situação fiscal melhor, o BC poderia adotar uma trajetória mais rápida’’.
-A entrevista do presidente do BC está na revista ‘‘Dinheiro’’, uma novidade do Grupo de Comunicação Três Editorial, elaborada pela equipe da ‘‘Istoɒ’. A edição nº 1 da publicação circulou esta semana. Juros são o assunto principal e a entrevista de Loyola a Carlos José Marques, está interessante. Algumas colocações acenam com alívio para a maioria dos agentes econômicos, principalmente os consumidores, quanto ao futuro das taxas cobradas no crediário. Portanto, o BC tem planos para reduzir os juros à níveis mais civilizados, a julgar pelas declarações de Loyola.
-Tomando como base as taxas cobradas no crediário do comércio varejista, em outubro do ano passado, esta coluna procurou mostrar que a política monetária ainda permeia a atividade econômica, apesar da derrubada da inflação. E que o comércio ainda não se despojara da cultura inflacionária, expressa no ganho proporcionado pelo largo e dilatado spread da intermediação do dinheiro. Tal qual o governo também não está suficientemente convencido de que deva sepultar definitivamente o instrumento de ordem monetária para manter a economia sob controle. Tudo isso expressa a preocupação com aumento do consumo, capaz de gerar alta dos preços que transpareça nos índices aferidores da inflação.
-A corrida das festas de fim de ano já passou sem que a demanda agregada atropelasse a oferta. O que se viu, ao contrário, foram liquidações exacerbadas nos itens vestuário e alimentação. O comportamento dos preços nesta virada de ano - aliado à maturidade das classes média e alta - foi prova convincente de que o governo pode abandonar o uso do instrumento monetário (leia-se juros inibidores do consumo). Em parte, por mérito do próprio plano econômico. E já que o governo elegeu o frango para simbolizar o acesso fácil à alimentação, vai aí um dado que resume toda explicação: exatamente ontem, terça-feira, o preço do frango contabilizava queda de 40% em 10 dias, mas já sinalizava queda em dezembro, período em que os preços ainda estão em ascensão. Frango de graça, vestuário, aluguel e e outros itens relativamente comportados. Só as tarifas do governo reagiram, mesmo assim, sem consequência.
-Loyola, convenhamos, tem razão. Não há ambiente melhor para reduzir os juros.

Milho

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