-A Fundação Getúlio Vargas está propondo o fim da discriminação tarifária e a diminuição das taxas de juros da agricultura. A FGV entende que o agricultor é ‘‘uma das vítimas’’ do plano de estabilização. O que a FGV sugere não se trata de voltar ao sistema de créditos subsidiados, que funcionavam como uma compensação, mas de baixar as taxas de juros para níveis civilizados.
-O editorial da Revista ‘‘Conjuntura Econômica’’ da FGV, dirigida aos meios acadêmicos, que circula na próxima semana, sai em defesa dos agricultores e coloca em dúvida a eficácia do último acordo para rolagem da dívida, anunciado esta semana pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O editorial, que expressa o pensamento dos técnicos da FGV, alguns de nome nacional, critica as taxas de juros cobradas da agricultura e defende ajuste na política cambial.
-‘‘Enquanto as nossas tarifas externas para produtos agropecuários variam de 0% a 20%, as tarifas de alguns bens industriais (usados pela indústria de agribusiness) atingem 75%, observa o editorial intitulado ‘‘O elo mais fraco’’. Segundo o técnico Lauro Vieira de Faria, à ‘‘Agência Folha’’, o sistema de crédito do Banco do Brasil ainda é muito racionado. O agricultor que vai ao mercado pegar recursos paga taxas anuais de até 50%, com a exigência de garantias e os riscos do clima, fica inviável’’.
-Para a FGV, sem mexer nas taxas de juros e na política de tarifas externas, o agricultor mesmo beneficiado pela rolagem da dívida estará condenado à falência. ‘‘A análise da economia pelo Produto Interno Bruto (PIB) esconde mais do que revela’’, diz o editorial. Isso porque, entre 93 e 97, o PIB da agricultura cresceu 23,3%, contra 17,7% do PIB global. Culturas de exportação viram seus preços valorizados (1,9% ao ano) nesta década. Também foram financiadas por recursos captados no mercado externo, a taxas mais razoáveis, segundo Faria. Enquanto isso, os agricultores domésticos assistiram a uma queda média anual de 4,7% nos preços dos seus produtos. Para Faria, atribuir à abertura comercial o ajuste do mercado interno não encerra o assunto. É uma transição demorada demais.
-Outro dado já conhecido, mas que a FGV considera importante e coloca em debate é o recuo da produção: devido à redução na área cultivada com algodão, soja, arroz e trigo, registrada entre 1990 e 1997, a indústria de agribusiness deixará de ganhar R$ 4,5 bilhões por ano daqui por diante, segundo a FGV. Trata-se de um valor que poderia ser acrescido às exportações, ou agregado à poupança interna.
-Com esta análise, a FGV referenda de forma explícita a posição de segmentos mais lúcidos da agricultura. As taxas de juros e o câmbio são pontos que precisam ser atacados numa mudança que não pode demorar.Milho BM&F

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