-Quando uma pessoa subestima os riscos inerentes a uma atitude ou ação ousadas, diz-se, no popular, que o fulano ‘‘gosta de viver perigosamente’’. O governo Fernando Henrique parece ter feito uma opção pelo caminho tortuoso, qualquer coisa que se aproxime de um viver perigoso. Eleitoralmente, é claro. Enquanto seus técnicos da área econômica procuram uma transição suave para corrigir a trajetória do Plano Real, como ajustar o câmbio sem o impacto sobre os investimentos especulativos externos, eis que o próprio governo pensa em criar novo imposto. Pouco adianta mostrar que quase nada avançou em direção ao Custo Brasil. E alguns poucos fardos que tirou do nosso lombo, o próprio governo nô-los devolve, mais pesados até, em forma de novo tributo sobre os combustíveis.
-É exatamente isto: o Palácio do Planalto quer que o Congresso crie, o mais rápido possível, o novo imposto sobre combustíveis. O presidente Fernando Henrique Cardoso se empenhará pessoalmente para aprovar o projeto, sob o argumento de que o imposto reduzirá o Custo Brasil. Por enquanto, a negociação está nas mãos do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. A data para votação do projeto só será marcada após o Planalto conseguir eliminar resistências na própria base do governo, particularmente do líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), que é contra a proposta. Ele alega que um novo imposto não será bem recebido em ano eleitoral.
-Mas a principal e verdadeira rejeição de Neves à proposta não se restringe às consequências do aumento da carga tributária para o contribuinte em ano eleitoral. O problema é que esses novos recursos vão rechear os caixas dos departamentos estaduais (DERs) e Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), que são redutos do PMDB, como informa a repórter Tânia Monteiro, da ‘‘Agência Estado’’.
-O próprio presidente tem-se empenhado em convencer o líder do partido da necessidade de aprovação do novo imposto, lembrando que até o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), é favorável ao projeto. Fernando Henrique considera o projeto ‘‘tão importante e premente’’ que o incluiu na pauta de convocação extraordinária para começar a contar os prazos necessários e desencadear as discussões.
-Fernando Henrique lembra que a criação do novo imposto foi apresentada pelo Legislativo e o governo apenas apóia a proposta. O presidente tem afirmado, em conversas mantidas com parlamentares, que, embora possa até parecer controvérsia, o novo imposto é uma solução para ajudar a reduzir o Custo Brasil. Segundo Fernando Henrique, os representantes das indústrias são os primeiros a dizer - e ele concorda - que tapar buracos nas estradas representa economia não só de combustível, mas redução nos gastos de manutenção de carros e caminhões.
-Como se observa, o argumento não resiste a menor discussão.AGF/trigo
O governo liberou ontem R$ 16 milhões para a compra de trigo em AGF, no Paraná. Com esse volume poderão ser compradas 100.000 toneladas, o que reduz o estoque de trigo no estado, que é de 450.000 t.
Koslovsky
A informação foi dada à repórter Vânia Casado pelo presidente da Ocepar, João Paulo Koslovsky que estava em Brasília. Koslovski acredita que o governo vai reativar os leilões do PEP, para acelerar a comercialização do trigo.
Teleconferência
O secretário Nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito do Espírito Santo, e o diretor de crédito do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, vão falar sobre comercialização da safra, via Embratel.
Sintonia
Será dia 17 de fevereiro, das 8h40 às 10h40. Para sintonizar em Parabólicas: Transponder 5A1 - polarização horizontal, frequência 3870 (sinal aberto), canais de 9 a 11 ou Canal Rural (35 da rede NET).
É importante
A Faep e o Sebrae-PR estão convidando os agricultores para que assistam a teleconferência. Os assuntos são interessantes para a comercialização da safra que começa a ser colhida.

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