-Os indicadores que se tem em mãos até o momento convergem para o mesmo denominador: economia estagnada, ou em recessão, que é a definição tecnicamente mais apropriada. Três dados, absolutamente confiáveis - até porque estão dentro das previsões - miram para uma variação negativa da economia brasileira. O diagnóstico e técnico e nada tem a ver com os ‘‘palpiteiros’’, a que se referiu ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso.
-Os dados são: 1) Os setor varejista (leia-se supermercados) projetam um trimestre em queda, nas vendas e nos preços. Já fecham janeiro com esse indicador: os movimento de vendas estão fechando o mês com preços em queda. A pesquisa desta semana do Datafolha mostrou que a redução acumulada é de 0,73% nos supermercados e de 3,2% nos hipermercados. A Associação Brasileira de Supermercados (Abra) só acredita numa reação após o carnaval, mantendo negativa a taxa do trimestre. Sinais de expansão das vendas só na Páscoa. 2) O setor têxtil, cujas vendas se expressam no segmento de confecções, também não aposta nada no primeiro trimestre. 3) E a indústria alimentícia sentiu o impacto, esta semana, das demissões na Cica, que não é a única a fazer ajustes. Leia-se corte de pessoal e enxugamento na estrutura de distribuição.
-Aliado a isto vêm os dados do IPEA. A previsão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão do Ministério do Planejamento é de que a economia brasileira terá um crescimento negativo de 2,1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre do ano passado, por conta da queda de atividades gerada pela crise asiática. A previsão não leva em conta a redução da taxa de juros feita pelo governo esta semana e que, por isso, o número efetivo pode ser melhor, segundo explicação do IPEA.
-Tanto os indicadores informais, de órgãos de empresas, como os dados oficiais do IPEA, adiam a retomada do crescimento para o segundo trimestre, ou seja só em abril, ancorada pela Páscoa. De acordo com o modelo de previsões do Ipea, o Produto Interno Bruto, que mede o conjunto da atividade econômica do país, retomará a trajetória de crescimento a partir de abril, fechando o segundo trimestre com alta de 0,4% em relação ao primeiro. Esse desempenho permitiria que o primeiro semestre de 98 apresentasse um nível de atividade econômica 0,3% maior que o do mesmo período do ano passado.
-Segundo o Ipea, a economia brasileira fechou o ano passado com um crescimento de 3,3%, ficando 0,7 ponto percentual abaixo da previsão que o órgão havia feito antes da crise das Bolsas. E o crescimento de 3,3% do ano passado foi decorrente de um aumento de 3,9% na atividade agropecuária; de 4,8% na atividade industrial; e de 1,9% nos serviços, incluindo o comércio. O PIB brasileiro (também é estimativa) fechou o ano passado com um valor total de US$ 807,6 bilhões, o que significa uma renda média por pessoa de US$ 5.058,60. Safra/final

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