Oswaldo Petrin
-A Petrobrás vai leiloar na próxima quarta-feira 1,5 bilhão de ações preferenciais, através da BNDESPar, empresa de Participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As duas empresas decidiram adotar o seguro cambial (em caso de um eventual ajuste do câmbio) para garantir o sucesso na operação, evitando as incertezas do mercado em relação ao câmbio e às oscilações das cotações.
-A decisão da Petrobrás sugere que o próprio governo admite que a atual política cambial é passível de ajustes. Para salvaguardar os compradores de suas ações - e, sobretudo para garantir o sucesso do leilão -, a paridade do câmbio fica garantida (para compradores externos) na sua relação atual para os que apostarem nas ações da Petrobrás, portanto resguardados de qualquer alteração cambial diferente da que é feita atualmente: pelo ajuste da banda, como fez na semana passada, após quase um ano, passando, o piso, de 1,05 para 1,12 e o máximo de 1,14 para 1,22, com intervalo de 8,9%.
-Um dos primeiros analistas econômicos a defender a tese de adoção do seguro cambial foi o professor Ismael Mologni, de Londrina. Ele sugeriu, semanas atrás, o recurso do seguro cambial para o governo fazer o ajuste cambial sem o impacto indesejável junto aos agentes econômicos que ancoram seus negócios na importação ou exportação. A idéia é tecnicamente correta, como manifestaram na oportunidade outros técnicos ouvidos pelo jornal. Tanto que agora a Petrobrás adota o seguro como forma de tranquilizar os candidatos às suas ações.
-Tanto na interpretação de Mologni e, agora, também na leitura dos técnicos da Petrobrás, o seguro cambial é válido exatamente porque permitiria desvalorizar a moeda sem criar o trauma do calote (expresso através de uma eventual máxi) contra os aplicadores internacionais. Com o seguro, eles estariam livres dos efeitos de uma possível máxi. Ao mesmo tempo, aumentaria o dinheiro das exportações e, consequentemente, diminuiria o déficit comercial, que é hoje uma das metas mais perseguidas pela equipe econômica. O calote ocorreria porque na hora de repatriar o dinheiro, os investidores teriam um prejuízo no justo calibre da desvalorização (ajuste) da moeda.
-Perguntado ontem se foi esta a preocupação da Petrobrás ao adotar o seguro cambial no leilão de suas ações, Mologni observou que a atual valorização cambial é uma bomba armada e que uma disparidade de 34,5% ao ano é insustentável para o desenvolvimento econômico. Ele é defensor de um ajuste cambial urgente.
-A decisão da Petrobrás e da BNDESPar sugere ainda que os exportadores de soja ainda não devem descartar a possibilidade do benefício de um ajuste cambial. Ele não virá, certamente, em forma de máxi ou minidesvalorização, mas de forma gradual.ICMS/carne





