-Aquilo que consultores de empresas previram no início do ano passado, e foi divulgado e comentado nesta página, a Abiove - representante das indústrias de óleos vegetais - finalmente reconheceu ontem: o processo de concentração das indústrias do setor é inevitável. As causas, apontadas na época pelos analistas, são o ‘‘estreitamento’’ da margem de lucro das indústrias que tem que ser compensando pelo ganho em escala. Tal como ocorre com o varejo, a indústria também é compelida a ganhar na quantidade, além de adotar uma gestão inerente a tudo que se relaciona com redução de custo: enxugamento, automação, etc. Não é só. As grandes indústrias têm acesso ao crédito externo, mais barato. Portanto, não se pode ficar com a idéia superficial, embora defensável, de que o problema das indústrias é apenas gerencial.
-Conforme a Agência Estado, ontem, no segundo semestre do ano passado, 28% do controle acionário do setor mudou de mãos. Os destaques foram a compra da Ceval, principal esmagadora do País, com 23% da capacidade nacional instalada, pelo Grupo Bunge, e de quatro fábricas da Sadia e da ADM. Atualmente, 45% da capacidade instalada de esmagamento de soja está em mãos de grupos estrangeiros, segundo levantamento da própria Abiove.
-Ainda segundo a entidade, ao repórter Venilson Ferreira, da AE. está ocorrendo no Brasil e na Argentina um processo que já aconteceu nos Estados Unidos e na Europa. A concentração ocorre porque o setor tem baixa rentabilidade e exige produção de grandes volumes e aplicação de tecnologia para garantir as margens.
Monitoramento O conselheiro para assuntos agrícolas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Finn Rudd, confirmou ontem à France Presse que seu país comprará imagens de um satélite francês (que será lançado em março próximo) sobre plantações brasileiras de soja, e considerou tal procedimento ‘‘normal’’.
-Segundo ele, isto será útil para o USDA e também para a indústria norte-americana de soja. A competitividade do Brasil nos mercados é de grande interesse para as projeções futuras sobre a soja dos Estados Unidos. ‘‘Este acompanhamento faz parte da rotina’’, disse.
-Para o USDA o ‘‘eventual’’ crescimento da produção brasileira de soja não é motivo de ‘‘preocupação urgente’’ para seu governo. Rudd destacou que, com a compra de imagens por satélite, ‘‘queremos apenas obter informações sobre as futuras tendências do mercado’’.
-O diplomata norte-americano acrescentou que desde 1982 o governo de seu país acompanha a produção agrícola de diversos países com a ajuda de satélites, e que no Brasil já existem acordos bilaterais com autoridades agrícolas e ambientais para isto. Crédito/milho

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