Oswaldo Petrin

‘Proer’. Ocepar explica
-Sobre o nosso comentário de ontem ‘‘Proer das Cooperativas’’, o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, e o assessor de Imprensa, Eloy Olindo Setti, prestam os seguintes esclarecimentos com relação à origem das dívidas das cooperativas e como os benefícios do empréstimo podem transparecer nos interesses da economia agroindustrial como um todo:
1) As atuais pendências financeiras das cooperativas têm mais de uma origem: a) Dívidas de agricultores em conta corrente nas suas cooperativas, fruto de empréstimos e adiantamentos de insumos feitos em função da deficiência do crédito rural no Plano Real; b) Dívidas antigas não liquidadas por agricultores e cooperativas em função dos sucessivos planos econômicos, cujos juros engordaram pesadamente as pendências; c) Dívidas de financiamentos mais recentes para expansão das cooperativas, cuja correção muito acima da rentabilidade do setor inviabilizaram esses negócios.
2) O próprio governo federal reconheceu, oficialmente, que foi injusta a proibição às cooperativas de incluírem na securitização as dívidas acima de R$ 200 mil. Pois bem, agora essa securitização está ocorrendo, embora tardiamente.
3) As regras do Recoop são muito rígidas quanto à liberação de recursos, que só beneficiarão as cooperativas cujos projetos efetivamente venham a mostrar viabilidade. As cooperativas que não se enquadrarem serão aconselhadas a buscar fusão com outras.
4) É preciso ainda deixar bem claro que as dificuldades não são somente das cooperativas e que muitas dessas dificuldades também são consequência da instabilidade de nossa economia, da falta de política agrícola justa, da aplicação das salvaguardas na importação de alimentos.
5) É importante salientar que os recurso não são a fundo perdido, ou subsidiados: serão pagos integralmente nas condições e prazos pré-fixados pelo governo.
-Outro esclarecimento: o diretor-superintendente da OCB, Amilcar Gramacho, informou que as condições gerais do programa de financiamento das cooperativas bem como o roteiro de informações da carta-consulta para habilitar cooperativas aos benefícios, serão publicados em portaria interministerial.
-Em princípio, todas as cooperativas agropecuárias poderão se candidatar ao programa, menos as que estão muito mal financeiramente, sem condição de reestruturação. O programa condiciona a renegociação das dívidas a um programa de capitalização, em lugar dos programas anteriores apenas de saneamento. A proposta da OCB prevê um prazo para pagamento das dívidas renegociadas de 15 a 20 anos.Juros
-A reunião do Conselho Monetário Nacional desta quinta-feira deve aprovar as novas regras de refinanciamento dos débitos agrícolas superiores a R$ 200 mil. Medida está no pacote de recursos às cooperativas.
Juros 2
-O Banco do Brasil já está reduzindo as taxas cobradas nestes casos. A partir deste mês, a taxa será de 8% ao ano (era de até 16,9%). O saldo dos débitos continuará sendo corrigido pela Taxa Referencial (TR).
Juros 3
-A medida vale para aqueles agricultores que já renegociaram seus débitos em planos anteriores, que estão adimplentes e que não pretendem aderir à nova modalidade de renegociação dos débitos superiores a R$ 200 mil.
Prazo
-Os que aderirem ao novo refinanciamento terão vantagens em relação às negociações tradicionais, como período mais longo (20 anos) para a quitação do débito e correção do saldo devedor pelo IGP.
Refinancia
-Mas quem quiser ficar no plano de refinanciamento tradicional terá a redução da taxa de juro, já a partir deste mês, avisa Biramar Nunes, diretor de Negócios do Banco do Brasil.

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