-As cooperativas são uma idéia tão importante que certas atividades econômicas não devem prescindir jamais do sistema. A agropecuária é uma dessas atividades. Mas, no caso dos recursos que o governo generosamente está injetando nas cooperativas, bem que a medida poderia remetê-las à revisão de conceitos e, com certa urgência, à capacitação gerencial. As do setor de leite, por exemplo, perdem bisonhamente o espaço comercial à concorrência por razões que o próprio setor conhece de sobejo. Isto, apenas para aproveitar a carona de uma fonte da OCB, ontem, ao apontar ‘‘um dos setores que estão completamente perdidos’’, o de leite.
-Estão chamando o aporte de recursos, injustamente, de ‘‘Proer da Agricultura’’ (numa alusão à indecente ajuda ao setor bancário). Seria mais apropriado chamá-lo de ‘‘Proer das Cooperativas’’, uma vez que não é totalmente defensável a tese de que os recursos, vão beneficiar diretamente a agricultura, como sustentam os discusos de velhos dirigentes do setor. Em muitos casos, nem indiretamente, convenhamos.
-Afinal, quase 90% do total de R$ 2,5 bilhões previstos no programa de revitalização das cooperativas agropecuárias (Recoop) serão utilizados para a renegociação de dívidas antigas do setor. Apenas R$ 300 milhões deverão ser destinados a novos investimentos das cooperativas. Portanto, o dinheiro não vai - como se costuma dizer - oxigenar o setor, através de giro ou investimentos do tipo apliação de fábrica, etc.
-O recado do governo é que a intenção é não privilegiar cooperativas que gastam inadequadamente o crédito subsidiado concedido pelos bancos públicos. O governo quer fazer um enxugamento no setor, que inclui a profissionalização de algumas unidades, fusões e terceirização de atividades.
-O presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), o deputado federal Dejandir Dalpasquale (PMDB-SC), disse que é justo o socorro do
governo às cooperativas porque o setor agrícola foi o que mais contribuiu para o sucesso do Plano Real.
-Enfim, o governo vai refinanciar a dívida de cerca de 400 cooperativas que soma entre R$ 1,5 e R$ 1,6 bilhão. Decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado ontem no ‘‘Diário Oficial’’ da União, cria o comitê executivo que vai examinar os projetos de revitalização das entidades. O comitê vai analisar caso a caso as propostas de renegociação de cada cooperativa. Só será autorizado o refinanciamento depois que o comitê aprovar o projeto. Atualmente, existem 1.400 cooperativas que atuam no setor. Cerca de 400 deverão pleitear a renegociação. Algumas deverão ser liquidadas e outras já estão em dia com seus pagamentos. Essa dívida do setor está sendo discutida desde o ano passado. Na ocasião, o governo cogitava condicionar a liberação dos recursos a uma plano de seneamento e enxugamento das cooperativas, o que sugere que as falhas do setor são evidentes e do conhecimento do governo. Avestruzes

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