-As indústrias de torrefação estão atravessando sua melhor fase. Ano passado foi um dos melhores e 97 também promete. Elas aumentaram as vendas físicas em 22% em relação ao ano anterior, chegando a 3,9 milhões de sacas. As indústrias paulistas, as que mais cresceram, foram responsáveis por 36% do total do País. O faturamento cresceu 8%, para R$ 740 milhões. O descompasso entre volume de vendas e receita se explica pela redução dos preços do produto, em média de 12% ao longo do ano, segundo calculos do presidente do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé), Nathan Herszkowicz, à Agência Estado.
-Resultado dessa performance é que as indústrias de café vão ampliar em 25% seus investimentos este ano. Serão aplicados em marketing e atualização tecnológica cerca de US$ 25 milhões. Este ano foram aplicados US$ 20 milhões. Num cenário de estabilidade econômica o Sindicafé projeta para o próximo ano avanço de 10% das vendas e manutenção do patamar de faturamento. As empresas vão acentuar a tendência de aprimorar a apresentação e lançar novos produtos, que atinjam segmentos específicos, conforme relata o repórter Gitânio Fortes, da AE, com base nos planos do Sindicafé.
-A Companhia União, líder do mercado, é reservada quanto aos investimentos após a polêmica que envolveu o seu lançamento mais recente, que exigiu recursos da ordem de US$ 8 milhões: o produto caramelizado Torrefacto, composto por 80% de café e 20% de açúcar. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) contestou a autorização concedida para a comercialização do produto. O processo se arrasta na Justiça e a União se desligou da Abic.
-Nos últimos três anos, a União vem registrando aumento de vendas física em torno de 40%, relata Aloísio Nunes, executivo da empresa. Com esse desempenho a empresa domina 50% do mercado paulista de café industrializado.
-Café do Ponto fechou 96 com investimento total de US$ 1 milhão e produto novo na praça: o extraforte. Para 1997, será aplicado outro US$ 1 milhão, principalmente em equipamentos (80% do total) e publicidade (20%), revela o diretor da empresa, Alexandre do Nascimento Gonçalves.
-As indústrias menores também procuram garantir uma fatia do mercado com produtos diferenciados. Para conseguir um shelf-life (tempo de prateleira) maior, o Café Santo André, de Itapetininga (SP), lançou este ano seu expresso e embalagens a vácuo puro, que preservam o produto para consumo por até 12 meses. Antes um nicho das grandes companhias, esse tipo de café, que atualmente responde por 6,5% das vendas, deve dobrar a participação no próximo ano, prevê Herszkowicz. Até março a Santo André planeja lançar sua marca de café solúvel. A produção será da Cacique, no esquema de ‘‘private label’’. A empresa é pequena, mas pode sair na frente com produtos diferenciados.Milho FGV/BM&F

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