Oswaldo Petrin
-As altas que ocorrem nestes dias nos preços do feijão não serão repassadas tão facilmente para o consumo que recua rapidamente quando os preços de qualquer mercadoria aumentam, inclusive feijão que é um produto básico. Já ocorreu isto no início do ano passado, em menor proporção. A estabilidade econômica conferiu ao consumidor a facilidade de memorizar os preços e prezar bastante os limites de seus orçamentos. Ao contrário do tempo da inflação, os referenciais e as relações de preços hoje são mais salientes. Além disso, o orçamento doméstico anda comprimido para todas as faixas e não admite exageros.
-E o varejo está apertado. As vendas dos supermercados caíram 0,68% no ano passado em relação a 1996, segundo balanço divulgado ontem pelo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf. O faturamento de 1997 somou R$ 20 bilhões. Assaf prevê que o lucro líquido das lojas, cujos resultados ainda não estão finalizados, deve representar menos de 1,5% do faturamento - abaixo do percentual alcançado em 1996.
-A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou ontem a este jornal que a queda de preços acusada pela Associação Paulista (e divulgada ontem pela Agência Folha) pode ser extrapolada para as demais cidades e regiões. A Abras ainda não tem números definitivos mas admite que o recuo ocorreu em termos nacionais. São Paulo é o termômetro das demais capitais e interior. Principalmente em se tratando de varejo e supermercados em que as redes conferem um comportamento de preços quase uniforme.
-A queda na margem de lucro pode ser explicada pela queima de gordura dos preços após o Plano Real. O consumidor está mais exigente e não aceita aumentos.
-Omar Assaf afirmou que os supermercados têm hoje despesa 30% maior que a do início do plano, em julho de 1994, o que também contribuiu para redução do lucro. Em dezembro, as vendas cresceram 37,37% em relação ao mês anterior,
puxadas pelas festas de fim-de-ano. Em comparação a dezembro de 1996, a
alta foi de apenas 0,23%. Desde o início do real, os supermercados
acumulam crescimento de 43% das vendas.
-As vendas dos supermercados do Estado devem ficar negativas durante o
primeiro semestre. Para Assaf, atingirão -1%. Só a partir de abril os
resultados devem melhorar, principalmente com as vendas da Páscoa,
disse. A retração nas vendas, segundo ele, durante o período será em decorrência das medidas econômicas adotadas pelo governo, principalmente, devido aos consumidores de classe média que terão de pagar mais imposto de renda. Assaf prevê que as vendas devem aumentar só a a partir do segundo semestre, fechando 1998 com alta de 1%. Polêmica





