-Os brasileiros vão tomar mais café em 98. Não se trata de um crescimento vegetativo, que acompanhe outros indicadores, mas de um crescimento real, calculado em 12% sobre o ano anterior. A Associação Brasileira da Indústria de Torrefação não deixa por menos: as 12 milhões de sacas de 50 quilos, que não foram alcançadas em 97 (consumo ficou em 11,5 milhões) serão atingidas neste ano. Em 97, a Abic previu um crescimento de 8%, mas não passou dos 4% - sobre o consumo de 1996. Os dados não são de todo confiáveis porque o levantamento não é definitivo, mas segundo a Abic, não devem fugir disso.
-A Abic aposta em pelo menos três variáveis que fogem completamente do marketing convencional. A primeira é a ampliação do leque de alternativas para consumir o produto, baseada principalmente no que se aproxima ao gosto da população jovem: sorvetes de café, café gelado, em latinha, como refrigerantes e sucos naturais. A segunda seria a introdução do café na merenda escolar. O argumento é que as propriedades do café ativam o cérebro da criança e torna o raciocínio mais ágil.
-A terceira, mais arriscada sob o ponto de vista mercadológico, será trabalhar melhor a ‘‘descoberta’’ do ácido clorogênico, um componente da bebida café que exerceria o que os médicos estão chamando de ‘‘antagonista opióide’’. Partindo da premissa que o ácido clorogênico gratifica os desejos dos jovens, o café seria um antídoto para as drogas.
-A tese se sustenta em estudos do neorologista Darcy Lima, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em dezembro, ele levou a proposta para a Universidade Vanderbielt, Massachusetts (EUA), que mantém um centro de estudos avançados de combate à drogas. Os cientistas de Massachusetts conferem uma importância cada vez maior a projetos que disponibilizem produtos (alternativos) que se enquadrem como opcionais ao desejo da droga e álcool, que também chamados de ‘‘concorrentes’’, ou mais apropriadamente, os antagonistas opióides.
-Dessas vertentes para aumento do consumo de café, a que acena com resultados mais concretos é a ampliação do consumo junto a escolares e população juvenil. A Abic aprovou a proposta publicitária ‘‘Dicafeliz’’ que inclui até distribuição de cartilhas sobre os benefícios do consumo de café. Bem ilustrada, a cartilha também conta a história do café e mostra sua produção, da formação de mudas até o cafezinho quente, na xícara. A campanha pretende ganhar um ‘‘toque’’ cultural. Praticamente montada, a campanha será acionada em março, segundo David Nahum, diretor da Associação.Café do Ponto
A abertura de novas franquias é a principal estratégia de marketing do Grupo Café do Ponto para este ano. O grupo possui 91 lojas franqueadas no país e espera abrir mais 20 neste ano.
Franquias
De acordo com o diretor de franquias do Café do Ponto, Hélio Ratore, a
empresa espera manter um ritmo de abertura de franquias em torno de 20
lojas por ano até 2005.
Imagem
As franquias não participam significativamente no faturamento da empresa, mas são uma forma de marketing. É importante para a empresa estar perto do consumidor final. Isso ajuda na divulgação da sua imagem.
Quiosques
Segundo Ratore, no ano passado foram abertas 21 lojas, e em 1996, 29. As franquias variam de R$ 35 mil (quiosque de 9 metros quadrados) a R$ 90
mil, (loja de 40 a 45 metros quadrados).
Baixas
Do total de lojas franqueadas desde 1992, quando o Café do Ponto deu início ao negócio, apenas três foram fechadas: duas em 1997 e uma em 1996.
(Rení Tognoni, do FolhaNews)

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