Oswaldo Petrin
-Primeiro foram os frigoríficos de Mato Grosso do Sul que reclamaram, agora há evidências de que a crise é nacional. A inadimplência, somada às altas taxas de juros praticadas no mercado, está levando donos de frigoríficos a reestruturarem seus negócios e selecionarem a clientela. Das 170 indústrias credenciadas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) cerca de 20% delas deverão encerrar suas atividades até o final deste ano. Só nos sete primeiros dias de 1998 quatro frigoríficos já fecharam suas portas: duas unidades do Friboi, Frinorte e Frivale, todas instaladas em Goiás. As informações são do proprietário do Friboi e da Associação Brasileira da Indústria Frigorífica (Abif), José Batista Junior à Agência Estado (Rosângela Capozoli).
-Ontem este jornal procurou o diretor-executivo do Sindicarme-Paraná, Péricles Salazar. Ele acha que a implantação da obrigatoriedade da desossa da carne será a saída para o setor organizado. Com esta e outras exigências, previstas na portaria 304, ganham os consumidores e os frigoríficos que investiram para melhorar a qualidade e os serviços. Já os abatedouros clandestinos terão menos espaço deixando de fazer a concorrência predatória, principal motivo da crise do setor.
-A propósito da portaria 304, a mesma Agência Estado divulgou dias atrás a posição dos frigoríficos do Estado de São Paulo em favor da desossa. Os paulistas estavam relutando; agora eles também querem a desossa. Já os paranaenses, mais organizados e os primeiros a estruturar salas de desossas, etc, vêm defendendo a implantação da nova lei desde o início. Diante das pressões o Ministério da Agricultura baixou portaria no final de dezembro, dando prazo para sugestões às novas normas.
-Voltando ao fechamento dos frigoríficos, esta semana: o proprietário da Friboi diz que fechou para estancar os prejuízos. A medida provocou a dispensa de 600 dos 2.600 funcionários. Vamos concentrar esforços nas três unidades que estão operando com 70% da capacidade instalada, afirma. No ano passado o Friboi faturou US$ 200 milhões. Na sua opinião, se os juros persistirem nesses patamares, a inadimplência que atingiu 5% no ano passado deverá dobrar em 98.
-A Frinorte já pediu concordata enquanto a Frivale preferiu fechar alegando problemas financeiros, segundo fontes do setor. O Friboi abastece a rede de hipermercado Carrefour e os supermercados Sé e Pão de Açúcar. Manuel Farias Ramos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Estado de São Paulo, confirma que o nível de inadimplência vem crescendo. Cerca de 90% dos açougueiros estão endividados.
-Outro fator apontado pela Abif como prejudicial é a deslealdade na competição. Quem tem inspeção arca com custos altos enquanto a carne clandestina corresponde a cerca de 50% do consumo nacional.Setor forte





