Oswaldo Petrin
-Comerciantes e analistas econômicos achavam que o consumo ia desabar na virada do ano em comparação com a gastança habitual. Só para contrariar, o consumo foi bom e o pacote fiscal não foi fulminante como prognosticavam (ou torciam). Aí os pessimistas e chorões de sempre passaram a adiar suas previsões para o começo do ano. Nada de novo. Tradicionalmente, o primeiro trimestre é de entressafra em quase tudo.
-Não se pode esperar muito quando muita coisa depende do governo e o governo que se tem é tímido e não avança. Mas o crescimento vem, preferencialmente, acompanhado de uma melhor distribuição de riquezas e justiça social. O crescimento da economia ainda está restrito aos saldos da balança comercial, que vem registrando sucessivos déficits. O Brasil se tornou um grande importador de bens de capital e, o que é pior, de grãos e outras matérias-primas.
-A falta de dinamismo das exportações - em 97 a situação não foi diferente - gera desequilíbrio na economia, impedindo que ela cresça a taxas acima de 5% ao ano. O déficit da balança comercial, o déficit público operacional e a taxa de câmbio (ainda) supervalorizada não foram suficientemente equacionados com o pacote fiscal outubro. A questão é política e quase tudo passa pelo ajuste fiscal.
-Para o agronegócio, há uma novidade neste cenário que não pode ser esquecida: o setor vai poder usar o Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC), antes restrito apenas às tradings exportadoras ou aos fabricantes de insumos usados na fabricação de produtos exportáveis. O ACC Beneficiava o exportador final, enfim.
-O ACC pode ser agora em 98, mais uma fonte de crédito diferenciada para o interior. Com as mudanças, no final do ano passado, produtores de matérias-primas como soja, café e laranja, passaram a ser classificados como exportadores indiretos com acesso a crédito de comercialização a juros internacionais de 8% ao ano, extremamente vantajosos quando comparados às taxas praticadas internamente (até 40% ao ano).
-Há um porém, infelizmente. É que, na turbulência da crise das bolsas, aumentou taxa de risco Brasil, afetando os tomadores de crédito, ainda que este crédito seja uma operação comercial e não exclusivamente uma tomada de dinheiro no mercado. Ela está lastreada na disponibilidade da mercadoria. Mas o mercado às vezes não pára para analisar isto. Espera-se que esta fase passe rapidamente porque as operações com soja tendem a aumentar a partir de janeiro. E que cessem logo as quedas em bolsas como a de ontem, quarta-feira. Cada vez que isto acontece o mercado assume uma posição defensiva em relação à economias emergentes, como a brasileira. Superfumo





