Oswaldo Petrin
-A concentração da posse da terra transparece de forma nítida no censo agropecuário 1996/97. O IBGE ainda não fechou o levantamento mas estima que a concentração deva ter aumentando pelo menos entre 18% a 20%, em 10 anos. Enquanto o censo revela a continuação da redução das pequenas propriedades, pequenos sitiantes não se conformam ao ver tratores novos se movimentando nos acampamentos de sem-terras, enquanto lhes falta crédito para investimento e custeio. Alegam que estão na lavoura há várias gerações e nunca tiveram apoio semelhante. Aos sem-terra, tratores, alimentos e até apoio e visitas de políticos. Já aos produtores tradicionais, alienação de bens e até desapropriação, em caso de inadimplência. O Banco oficial (o governo) tem sido implacável na hora do acerto de contas, alegam representantes dos produtores.
-Na verdade, não são os assentados que recebem tratamento privilegiado. Os pequenos proprietários ou arrendatários - os tradicionais como eles mesmos se intitulam - é que não têm tido programas que definam apoios e obrigações. Os assentados continam sem as condições básicas; faltam-lhes as condições mínimas. Eles precisam muito mais. São gente que sonha com um pedaço de terra mas que acaba virando massa de manobra da militância política. Mas isto também é fruto da ausência de uma reforma agrária que deveria ter ocorrido 50 anos atrás. O futuro de seus lotes tende a seguir a predestinação histórica dos que engrossam as estatísticas da concentração da posse da terra. E talvez o motivo se traduza na frase de um agricultor de Sertanópolis: Na era do Real ninguém consegue sobreviver na roça com menos de 30 alqueires, mesmo que essas terras sejam as mais férteis das terras roxas do Norte do Paraná.
-A propósito, a revista britânica New Scientist faz a seguinte pergunta: Será que a distribuição de lotes para os sem-terra pode ser feita, sem que o Brasil perca sua alta produtividade de alimentos? A essa pergunta a revista tentou responder no seu último número, num longo artigo, mais um dos muitos que estão sendo publicados no exterior sobre a tentativa brasileira de fazer uma reforma agrária eficiente.
-Apesar do título do artigo, Transformando arados em espadas, a publicação é francamente favorável aos sem-terra, apresentados como vítimas de um sistema que permite aos grandes fazendeiros especularem com a terra para se defender da inflação, e que dificulta ao máximo a concessão de créditos para os pequenos agricultores. O texto lembra, porém, que muitas famílias receberam terras apenas para vendê-las mais tarde, porque não têm capacidade de competir economicamente, num mundo em que a tecnologia é essencial para uma agricultura que produza a preços competitivos.
Frango





