Oswaldo Petrin
-O governo já não se assusta muito com o déficit comercial. Não que o conceito de déficit de balança mude muito no caso de economia estável, como agora, mas porque a performance passa a ser outra, a julgar pelos últimos resultados. No momento em que exportar e, consequentemente fazer divisas, deixa de ser uma obsessão - como antigamente, quando a economia precisava da entrada de dólares -, o governo tem outro fator favorável: o melhor desempenho das exportações. As vendas externas dos produtos manufaturados atingiram US$ 2,285 bilhões e representaram um recorde para o mes de dezembro, superando em 3,44% o valor de dezembro de 1995. Em relação a novembro de 96, as vendas de manufaturados tiveram um acréscimo de 4,53%. Os dados são do Ministério da Indústria e do Comércio e foram divulgados na terça-feira.
-Mas exportações de produtos básicos e semimanufaturados tiveram, em dezembro, valores inferiores aos registrados em novembro de 96 e dezembro de 95. A redução nas vendas de produtos básicos foi de 16,19% em relação a novembro de 96 e de 2,14% em relação a dezembro de 95. A queda nas vendas de produtos semimanufaturados foi de 7,60% em comparação com novembro de 96 e de 20% em comparação com dezembro do ano passado.
-O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Murilo Cortes, explicou que esta redução de 20% nas exportações de manufaturados está ligada principalmente à queda dos preços externos das commodities. Só a celulose foi responsável por 53% (US$ 82 milhões) da perda de receita com semimanufaturados (US$ 155 milhões) na comparação entre dezembro de 1996 e dezembro de 1995.
-Houve ainda redução nos embarques de óleo de soja (62,19%), ferro-gusa (84,72%) e açúcar cristal (9,29%). A queda das exportações de básicos em dezembro de 96 em relação ao mesmo mês de 95 deve-se ao atraso na comercialização da safra de soja em 95. Os embarques de farelo de soja em 95 se concentraram nos últimos meses do ano.
-Em 96, a comercialização da safra de soja e seus derivados foi normal. Por isso, o volume exportado de farelo de soja (427 mil toneladas) foi 49,5% menor que em dezembro de 95 (846 mil toneladas). Sobre soja a surpresa maior está reservada para este ano quando devem crescer as exportações de grãos com a redução das exportações de farelo e óleo.
-As exportações de açúcar demerara tiveram uma queda de receita de 49,97% em relação a dezembro de 95. O destaque positivo foi no setor de café em grão, com vendas de US$ 176 milhões (79,73% a mais que em dezembro de 95), devido à maior disponibilidade do produto para exportação. O embarque do produto aumentou de 42 mil toneladas em dezembro de 95 para 83 mil toneladas em dezembro de 96. Sobressaíram também as receitas com as vendas de carne de frango (mais 30%) e fumo em folhas (29,08%).





