Oswaldo Petrin
-O IBGE fechou a inflação do ano: 4,41%. Em outras épocas esta estatística demorava pelo menos 25 dias úteis. Nem os efeitos da crise das bolsas atrapalharam o diagnóstico. Como a crise exigiu o uso de freio, inibindo o consumo, é de se admitir que as mudanças dela decorrentes nestes dois últimos meses não devem mascarar os números finais da inflação. Os números, portanto, estão fechados. A inflação acumulada desde julho de 1994, quando foi criado o Plano Real, está em 71%. No cálculo das taxas acumuladas no período do Real, o item habitação continua sendo o que mais aumenta, com índice total de 332,11%. E a alimentação - via cesta básica - ancorada nos produtos agrícolas (animal e vegetal) foi o item que mais colaborou, tendo aumentado 45% no peso do INPC no período.
-Os técnicos do IBGE já estão dizendo que as projeções para 1998 sugerem inflação ainda menor, não superior a 2,5%. Só que no Brasil não há indicadores confiáveis para tais prognosticar inflação com mais de 12 meses de antecedência. Portanto, a inflação de 98 é exercício de excessiva futurologia, com jeito e emprego de chutometria. Na economia global ninguém está imune ao impacto do que ocorre do outro lado do mundo.
-Portanto, é estéril essa discussão sobre inflação futura. É mais importante perguntar a que preço ela vai ser controlada. Importa saber hoje se em 98 o preço do controle da inflação será gradualmente menor. É o que todos gostariam de saber. Em 97, por exemplo, a recessão calibrada com o grau de eficiência do controle da inflação, foi, na realidade, um preço social muito alto.
-Convenhamos que inflação, como a divulgada ontem, dá ao governo o direito de comemorar. Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Especial (INPC-E), é a menor de toda a série histórica do IBGE. O percentual só não foi mais baixo por causa, principalmente, dos aumentos de tarifas públicas, determinados pelo governo. De 95 até agora, a inflação vem caindo ao ritmo de 60% ao ano.
-Para variar, novamente foram as tarifas do governo que impediram que a inflação fosse ainda menor. O realinhamento de preços fez com que a parcela do governo fosse a grande responsável pela inflação deste ano, disse à Agência Estado a técnica Marcia Quintslr, chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE. Segundo ela, as maiores variações de preços foram constatadas entre produtos e serviços que não dependem de concorrência. A tarifa telefônica foi a principal vilã da inflação de 97, registrando uma variação de 98,08%.
-Outros itens que tiveram grande peso do cálculo inflacionário foram os combustíveis, com variação de 22,37%, e as passagens de ônibus urbanos, com aumento médio de 12,94%. O primeiro semestre do ano concentrou a maior parte da inflação, fechando em 3,16%. Os reajustes nas tarifas de telefone incidiram no cálculo de quase todo o primeiro semestre.Tarifas
Os dois itens que apresentaram maior aumento este ano foram comunicações (91,07%) e combustíveis (22,37%). Também ficaram acima da média o transporte público (12,13%) e a energia elétrica (10,13%).
Crítica
A parcela sob a responsabilidade do governo foi a grande responsável pela inflação de 1997, disse Márcia Quinstlr, chefe do Departamento de Indices e Preços do IBGE.
Telefone
A alta individual foi liderada pelas tarifas telefônicas residenciais,
reajustadas em 98,08% em média. Nos meses de abril e maio, o governo
aumentou o valor do pulso (61%) e da assinatura (271%).
Dezembro
Em dezembro, o INPC-E, que mede o custo de vida de famílias que ganham
entre um e oito salários mínimos na segunda quinzena do mês anterior e na primeira do mês anterior foi de 0,49%.
Os ricos
Inflação dos ricos: já o IPCA-E, que mede a inflação para famílias com renda entre cinco e 40 salários mínimos, foi de 5,53% em 1997. No ano passado, a taxa foi 9,92%. Esta é também a inflação dos mais ricos.





