-Temas de debates, críticas e documentos ao governo, a carga tributária, imposto em cascata e o custo Brasil não são novidades. Eles não prejudicam apenas quem produz e paga; na verdade são responsáveis pelo empobrecimento do interior do País.
-A novidade é que órgãos importantes como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), finalmente reconhecem e assumem informações sobre o estrago que bitributação ou o custo Brasil fazem à economia. A FGV não tem estudos formais sobre o assunto, mas alguns de seus técnicos isoladamente se colocam como críticos da situação. A pesada tributação e o alto custo de transporte no Brasil são os principais entraves à expansão do agribusiness no Brasil, segundo avaliação do Ipea divulgada esta semana.
-Mas o que se quer mostrar, hoje, é que o Ipea revela outros dados ainda mais importantes: faz projeções sobre a agroindústria vegetal. Nada otimistas, aliás. Embora ainda esteja em boa posição entre os produtos tradicionais da pauta de exportações brasileiras, a indústria processadora de soja deverá enfrentar uma grande reestruturação nos próximos anos. Além de enfrentar a tendência mundial de adoção de produtos alternativos, a indústria de processamento de soja deverá sofrer uma reestruturação que depende fundamentalmente da reforma tributária e da melhoria da infra-estrutura do País.
-A tendência internacional, segundo o pesquisador Luís Carlos de Magalhães, é a concentração em grandes complexos industriais em regiões com garantia de fornecimento do produto ou próximos a portos. No Brasil há deficiência de transporte e cobrança de imposto de produtos que saem de um Estado para outro, o que torna mais difícil para as empresas produtoras de óleo e farelo se instalar perto de zonas portuárias. Segundo Magalhães, as plantas industriais mais rentáveis terão capacidade de processamento da ordem de 7.500 toneladas de soja por dia. As centrais de esmagamento do produto com capacidade inferior a 600 toneladas serão fechadas.
-O trabalho do Ipea identifica ainda as regiões onde a soja ainda poderá
expandir sua produção e onde o cultivo é ‘‘decadente’’. Entre as fronteiras a serem exploradas aparecem a região de Rondonópolis (MT) e o oeste da Bahia, onde está a cidade de Barreiras. A ‘‘decadência’’ está nas regiões de produção tradicional: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
-Mas o maior potencial de expansão do agribusiness está na exportação de
frutas in natura. ‘‘O desempenho ainda é tímido em atividades nobres em
renda como as frutas’’, disse esta semana o presidente do Ipea, Fernando Rezende, ao apresentar o estudo. (Oswaldo Buarim Jr. Agência Folha).Café/Nestlé
A Nestlé prefere o café mexicano nas suas exportações de solúvel para Rússia, o maior importador do Leste Europeu e principal mercado das indústrias brasileiras.
Custo Brasil
Alto custo da matéria-prima e a pesada carga tributária fazem a multinacional preterir o café do Brasil, conforme Peter Brabehck-Tetmathe, diretor da Nestlé, que está investindo US$ 100 milhões no México.
Fatia
Dados da Cecex: em 1996 os embarques de café solúvel para a Rússia chegaram a US$ 145,7 milhões. A Nestlé do Brasil foi responsável por 37%, só superada pela Companhia Cacique (44%).
Marketing
Bertone, vice do CNC, em recente palestra em Londrina, disse que o Brasil evoluiu em marketing e imprime agressividade nas promoções. Não parece, segundo comerciantes, que vêem na posição da Nestlé, uma questão reversível.
Liderança
Enquanto Bertone falava, na platéia houve quem lamentasse: ‘‘Ele vai entrar na política lá em São Paulo e nós vamos perder um articulador importante’’. Como se vê, o café paranaense está carente de lideranças.

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