-A televisão mostrou ontem produtores de leite distribuindo o produto na Esplanada dos Ministérios. Local totalmente impróprio: a população do lugar, maioria políticos, está acostumada a mamar nas tetas gordas do erário público e dá pouca importância ao leite envasado ou em tambores. Mamam direto na fonte.
-Ironia à parte, quem tem acompanhado os artigos do presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, na ‘‘Folha Rural’’, não se surpreende com a forma como o governo detona o produto nacional via importações. Não é de hoje que Ágide vem alertando, sempre deixando claro que os produtores não temem a competição. Não querem o que é desleal, a chamada concorrência predatória. Agora, importar com prazo de 12 a 18 meses para pagar e a juros abaixo do spread internacional, 6% ao ano, por exemplo, realmente não dá. Prazo, preço e juros generosos. É para arrebentar o produtor interno.
-O ministro Porto perde politicamente no seu Estado. Semana passada, ele anunciou medidas restritivas. Agora? Agora não adianta chorar o leite derramado (literalmente, nas calçadas e jardins da Esplanada). Teria que ter feito isto há mais tempo. E não faltou quem alertasse. A Faep é uma dessas vozes. Só que antes de ir para a imprensa e gritar, ela já encaminhou estudos aprofundados e formalizou advertências ao governo. O governo reconhece e respeita a Federação do Paraná, que toma como referencial. Tuto é feito de forma muito profissional e competente. Mas o governo é turrão e ainda tem que conciliar outros interesses.
-A notícia (da Agência Estado): Cerca de 800 produtores de leite de várias regiões de Minas Gerais, distribuiram oito mil litros de leite na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra a importação do produto, que hoje chega ao Brasil com prazos de pagamento de até 550 dias e juros internacionais de 6% a 8% ao ano. Hoje, o leite brasileiro é o mais barato do mundo, mas os produtores não recebem nem dez centavos por litro vendido.
-Os produtores brasileiros asseguram que, apesar de os exportadores estrangeiros facilitarem o pagamento do leite, ainda conseguem vender o produto mais barato que o nacional e obter lucro significativo. A alegação é que as taxas de juros são dez vezes maiores do que as praticadas no exterior. Uma garrafa de água mineral custa dez vezes mais que um litro de leite brasileiro.
-Uma das alternativas levantadas pelo secretário da Camex, Frederico Alvarez, é adotar um sistema de valoração aduaneira e anuência prévia para as importações de lácteos. Com isso, o imposto de importação seria cobrado sobre o preço de registro internacional do produto, e não sobre o valor da guia, que pode estar subfaturado. Esta medida obrigaria o produtor internacional a cumprir a legislação brasileira.Soja verde

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