-É grave o risco de contaminação através de carnes clandestinas, sem inspeção. Isto não chega a ser novidade. O que há de novo é que agora os órgãos de governo, agentes da fiscalização, vão admitindo que há flagrante ameaça. Também parecem assumir a ‘‘mea culpa’’, conforme deixaram entrever os representantes da Agricultura e Saúde. Poucos Estados negligenciam tanto como o Paraná, em matéria de sanidade dos produtos de origem animal. Metade da carne comercializada em açougues, mercados e restaurantes não passa por qualquer tipo de fiscalização ou controle de doenças.
-Os dados foram comentados durante o ‘‘Fórum Qualidade de Alimentos & Saúde Pública’’, realizado quarta-feira no plenário da Assembléia Legislativa. Para se ter idéia da seriedade do debate, lá estavam o Ministério Público, através da Procuradoria de Defesa do Consumidor; Secretarias da Agricultura e Saúde e Ministério da Agricultura. Como organizadores, o Sindicarne-PR e o Conselho de Medicina Veterinária, apoiados por entidades fortes como Faep e Ocepar.
-O evento foi um divisor de água na história da saúde pública no Paraná. ‘‘Agora a coisa começa a endireitar’’, como comentou um dos magistrados da Promotoria de Defesa do Consumidor. Foi neste debate que vieram à tona os dados mais preocupantes sobre a baixa qualidade da carne que os paranaenses consomem.
-Os dados, que expressam uma situação insustentável são: a) As centenas de arrobas de carne destruída pelos promotores de Justiça em recente fiscalização no interior. Se a ‘‘blitz’’ fosse mantida, mais da metade dos abatedouros teria de ser fechada; b) Os números que mostram a fragilidade da inspeção estadual; c) a inexplicável relutância na contratação de médicos-veterinários aprovada no meio do ano pela Assembléia Legislativa); d) A denúncia da Associação de Defesa do Consumidor de Curitiba, sobre o surto de doenças transmitidas através da carne sem inspeção.
-Tudo isso ‘‘rolou’’ no Fórum, que teve ainda a participação do Bloco Parlamentar Agropecuário. O dado mais contundente, porém, vem do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec): 70% da carne bovina ‘‘está sem a mais elementar das inspeções de higiene’’. O próprio Ministério da Agricultura, através da Secretaria de Defesa Agropecuária, admite que mais de 50% não passa por inspeção.
-Um documento distribuído durante o debate, pela Associação de Defesa do Consumidor informa: 47,1% dos surtos de doenças, investigados pela Secretaria da Saúde, entre 1988 e 95, foram causados por carnes e derivados. Doenças como teníase e cisticercose contaminam crianças e adultos no interior paranaense. O Estado pode vir a ser responsabilizado. ‘‘Vaca louca’’
O Diário Oficial da União de ontem publica portaria do Ministério da Agricultura que proíbe a proteína animal na alimentação do gado. É o medo da ‘‘vaca louca’’.
‘‘Vaca louca’’ 2
É que a contaminação pela doença se faz por meio da alimentação com ração de origem animal. No ano passado o governo proibiu o uso de ração à base de farinha de carne e osso para bois, ovinos e caprinos.
‘‘Vaca louca’’ 3
O gado brasileiro recebe capim e ração vegetal como o farelo de soja. Apenas o gado de Goiás e Minas tem uma alimentação complementar de farinha de carne e osso, devido à carência de fósforo.
‘‘Vaca louca’’ 4
O Brasil declarou à Organização Internacional de Epizootias que está livre da doença. O secretário de Defesa Agropecuária, Enio Marques, disse que essa declaração vai ajudar o País a exportar.
Enio
Sobre Enio Marques: ele é a autoridade do governo acusada de protelar a aplicação da portaria 304, que trata da desossa da carne. A portaria é do interesse do consumidor. Enio é contra a portaria. Pode? Que explicação ele teria a dar?

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