-Em reunião do ‘‘Grupo de Observações de Mercados’’, a Bolsa de Cereais de São Paulo (BCSP) avaliou a situação do milho no mercado brasileiro. Para os participantes, o mercado está diminuindo, com os produtores segurando o pequeno estoque remanescente e os grandes consumidores abastecendo-se através dos leilões do governo. O preço interno poderá subir demais, prejudicando as criações de frangos e de suínos. Em janeiro pode haver forte alta mesmo assim o produto desaparece do mercado, na opinião de Roberto Yamakado, da Corn Products Brasil. Há preocupação generalizada quanto aos números do consumo e produção, com a indicação de que ambos estejam superestimados. Marcos Amorim, da A Nordestina Com. e Ind., disse durante a reunião que a redução na venda de sementes de milho tem assustado o mercado, uma vez que a comercialização antecede em um ano a safra. ‘‘Fala-se em 40% de redução em relação ao ano passado’’, afirmou.
-Esta é a avaliação da Bolsa, esta semana. Na realidade o abastecimento do milho em 98 já está ameaçado. Antes mesmo do início do plantio da safra de verão, três meses atrás, os analistas de mercado vêm apontando o recuo na área baseados em duas evidências: a desastrada comercialização da última colheita e a expansão da área de soja, que acena, de novo, com bons preços. Esses indicadores já se confirmaram, resta dimensionar o ‘‘estrago’’ no abastecimento de maio em diante, quando a pequena safra já tiver sido totalmente absorvida.
-Apostar na safrinha? Técnicos da Conab acham que sim, já que os estoques do governo estarão muito baixos, ao mesmo tempo em que uma das premissas do pacote fiscal é desestimular as importações - via juros e prazos.
-Projeções de grandes empresas como a Sadia, a maior do setor de carnes, perdigão e cooperativas, passam pela safrinha. Hoje, o planejamento das indústrias moageiras também está conferindo um peso maior à variável safrinha.
-O quadro pessimista da safra de milho 97/98 ficou definitivamente configurado em novembro, conforme dados da ‘‘Safras & Mercados’’, divulgados na ocasião por este jornal. Esta semana a mesma empresa de consultoria - de alta credibilidade - revelou (na ‘‘Gazeta Mercantil’’) que a expectativa é de que a área plantada com milho sofra uma redução de 13,6% (7,3 milhões de ha) em função dos bons preços da soja. A produção seria pelo menos 10% menor, de 25 milhões de t. Ora, o consumo nacional é de 31 milhões de t. Já a safrinha poderá ser 50,6% maior ano que vem, totalizando 5,15 milhões de toneladas. Esses números são uma média nacional. No caso do Paraná, os números da quebra de produção estão bem acima desta média. No entanto, na avicultura, principalmente de corte e na suinocultura os números são mais pessimistas.Anuência

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