Oswaldo Petrin
-O Paraná começa a debater, em boa hora, a qualidade dos alimentos e a saúde pública (dia 10, quarta-feira, às 9 horas, na Assembléia Legislativa). E, pelo que se pode observar do temário, a preocupação converge para a manipulação da carne. Nada mais oportuno, centrar as atenções neste item, carne, afinal nas últimas semanas, foram inúmeras as informações sobre incidência de doenças transmitidas por vermes alojados em cortes de carnes bovinas ou suínas, cujos animais, com certeza, não passaram pela inspeção. Diagnósticos não faltam para mostrar o flagelo das carnes clandestinas. Finalmente o problema começa a ser tratado de frente e envolve os municípios, que habitualmente fazem vistas grossas ao problema.
-Também parece interessante o local escolhido para o debate: a Assembléia Legislativa. Pelo menos não faltará quem venha a cobrar do governo estadual maior eficácia principalmente na estruturação de um sistema decente de inspeção. O que é da competência dos municípios, hoje, por deleção (ou seria por imprudência?) do governo do Estado, não é inspeção, é um arremedo de normas fiscais sem compromisso com os mais elementares princípios sanitários. Enfim, ou se tem a inspeção federal ou não se tem quase nada.
-Um dos temas, O cumprimento da legislação na proteção da saúde pública, pelo dr. Arion Rolim Pereira, promotor de Justiça e Defesa do Consumidor, sugere que haverá uma tomada de posição do Ministério Público diante da displicência com que assunto tão grave - qualidade dos alimentos - está sendo tratado. Neste aspecto, vale lembrar que a Promotoria Pública tem feito algumas incursões pelo interior, onde o abuso impera em vários municípios.
-Uma leitura do folder com a agenda do evento nos remete a imaginar os prejuízos que o abate clandestino tem causado. Prejuízo à saúde e à economia:
Ao lado das grandes transformações tecnológicas ocorridas na agropecuária nos últimos anos - diz o texto - persistem ainda graves problemas estruturais que impedem um maior desenvolvimento e exploração das potencialidades do setor. Entre eles encontra-se a questão da produção e manipulação de alimentos de origem animal não compatível com as exigências de qualidade e higiene, requisitos básicos na atual conformação do mercado consumidor.
-A concorrência predatória e desleal, alheia às normas sanitárias e fiscais inibe o processo de modernização da agropecária paranaense, desmotiva o investimento produtivo e, o que é pior, compromete a saúde pública.
-Resumindo em linguagem mais direta: os frigoríficos que investiram para obter uma carne de qualidade e dentro das exigências sanitárias, têm que disputar o mesmo mercado com os matadouros municipais improvisados e imundos. Mas este prejuízo é pequeno perto dos danos que esse tipo de abate causa à saúde pública. Estatísticas é o que não faltam sobre o descalabro do comércio da carne no Paraná. Seminário BB





