-Cachaça, mortadela e paçoca (aquela de amendoim pilado e torrado com farinha e açúcar) têm lugar reservado na preferência de brasileiros. Mas vivem em busca de ascensão social, nem que seja para galgar apenas alguns degraus da classe média. Alguns incluem a tubaína, entre os bregas (quase sempre) bem-vindos. A mortadela até que se emancipou, anos atrás, assumindo o que realmente é e, sem muito esforço de qualidade, celebrizou a frase ‘‘Disfarça e compra’’, em campanha de marketing das mais inteligentes. Foi, no mínimo, simpática. A paçoca é o que é, e nem tem pretensão de ir longe. Já a cachaça não se conforma. Não é a primeira vez que se lhe tentam uma projeção, nem que seja para ficar nos planos.
-Agora mesmo, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrab) planeja atacar com alguma coisa que se assemelha ao selo de qualidade, aquele que salvou o café na execração cerca de dez anos atrás, quando a Abic resolveu se mexer. Vem aí o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, respaldado pelo Sebrae.
-A produção anual de cachaça no Brasil, considerando os produtores formais e informais, é estimada em 1,3 bilhão de litros/ano. Desse total, cerca da metade é produzida informalmente, sem controle de qualidade. Imaginem. A Abrab quer melhorar não só o padrão de qualidade e consumo da bebida, como conquistar novos mercados.
-O Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça tem como objetivo não só estimular o consumo da bebida pelas classes A e B da sociedade brasileira, mas aumentar o volume de vendas no mercado externo. As exportações de cachaça no ano passado alcançaram pouco menos que 4 milhões de litros (0,31% da produção anual), o que gerou uma receita de cerca de US$ 7 milhões, segundo o presidente da entidade, Fabrizio Fasano, em entrevista à repórter Gecy Belmonte, da Agência Estado.
-A decisão de profissionalizar a produção nacional de cachaça - bebida produzida com exclusividade pelo Brasil - e conquistar uma fatia do mercado externo cresceu a partir do ano passado, após uma visita de empresários do setor à Escócia e à França. Liderados pelo Sindicato da Indústria de Bebidas do Ceará, os empresários conheceram a tecnologia de produção, o marketing e a comercialização do whisky.
-Os fabricantes brasileiros não só ficaram sabendo que o whisky é um dos cinco principais itens da pauta de exportação do Reino Unido, com uma receita anual em torno de US$ 3,6 bilhões, como foram informados de que as exportações do produto para o Brasil vêm crescendo muito. No ano passado, foram importados 22 milhões de garrafas de whisky (US$ 68 milhões). De 1986 a 1995, o crescimento das exportações escocesa para o mercado nacional foi de 10,1%. Mexeu com os nossos fabricantes.Grupos

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