Oswaldo Petrin
-As destilarias de álcool do Paraná pedem providência ao governo para enxugar seu excedente num momento inoportuno: o consumidor brasileiro como em todo o mundo está recebendo a notícia sobre excedente de petróleo. Tudo bem que o consumo de petróleo no mundo aumentará com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, provocando acomodação de preços no mercado. Mas a alternativa álcool no Brasil sempre esteve associada à eventual crise no abastecimento. Há muito não se houve falar sobre o assunto. Neste momento, o impacto é outro; o impacto imediato do aumento da produção de petróleo dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de 25,033 milhões de barris por dia para 27,5 milhões foi uma redução nos preços no mercado internacional.
-O fato é que os agentes do setor falam em queda, e não em alta de preços. A alteração foi pouco representativa porque os membros da Opep já estavam ultrapassando o teto estabelecido para a cota de produção. Na realidade houve apenas uma oficialização dos níveis de oferta já praticados e que já influenciaram os preços. Em 96 o preço médio por barril era de US$ 20 e este ano chegou a US$ 19. Com este tipo de informação ocupando espaço nas agências de notícia, o ambiente para negociar excedente de álcool é adverso, ainda que o assunto seja exclusivamente nosso e envolva variáveis da economia local.
-Melhor sorte têm as usinas de leite, sem querer fazer trocadilhos. É que o governo vai mesmo adotar, até a semana que vem, medidas para dificultar a entrada de leite importado no País. O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem à repórter Mariângela Herédia, da AE, que deverá ser publicado um decreto do presidente FHC definindo o preço mínimo de tributação do leite que entra no Brasil com base nos preços internacionais e estabelecida a obrigatoriedade de anuência prévia do ministério nos pedidos de importação.
-O que o governo quer é o mínimo: ter controle da origem e do destino dos produtos lácteos importados para verificar se eles se enquadram nas normas internacionais e têm boas condições sanitárias. Todos sabem que tem. Mas isto não dispensa medidas que reduzam as importações. Os técnicos da Agricultura estão concluindo um trabalho para alteração do Siscomex (sistema de comércio exterior), de forma que o importador precisará recorrer ao ministério sempre que fizer um pedido de compra de lácteos no exterior.
-O governo pretende anunciar outras medidas de estímulo ao produtor nacional, como a obrigatoriedade de o leite importado ter de ser depositado em armazéns credenciados tão logo desembarque, para que possa haver uma fiscalização mais efetiva. Outra medida que está sendo negociada pelo Ministério das Relações Exteriores com os parceiros do Mercosul é a elevação de 4% da tarifa externa comum para o leite, que passaria de 19% para 23%
-Com cerco tão rigoroso ao importado, o produtor nacional não precisa ser eficiente. E os carrapatos vão continuar furando o couro da vaquinha Violeta.Boi futuro





