Moeda volátil

Ninguém deve se surpreender se no início de janeiro, o Banco Central entrar no mercado comprando dólar além do previsto. Um estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e divulgado ontem pela Agência Estado, aponta que o real foi a moeda flutuante mais volátil do mundo entre janeiro de 2000 e novembro deste ano. O real apresentou 22% de variação medida pela diferença das cotações máxima e mínima, descontada a inflação apurada no atacado nos países analisados e nos Estados Unidos.

A taxa de variação registrada pelo real atingiu o dobro do nível do segundo colocado, a libra esterlina o Reino Unido (11,1%). Na pesquisa também foi avaliada a oscilação das moedas do Japão (10,8%), Rússia (10,6%), Chile (10,5%), Coréia do Su l (10,4%), México (9,0%), Argentina (7,7%) e Canadá (7,2%). ''A flutuação exagerada inibe decisões de investimento e, assim, é contrária à expansão da atividade econômica'', comentou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Para Skaf, o governo precisa tomar decisões a fim de reduzir a volatilidade do câmbio, elemento que, na sua opinião, está afetando as exportações. Segundo a Fiesp, entre 1º de junho e 30 de novembro deste ano, o real foi a segunda moeda no mundo que mais se valorizou em relação ao dólar (13,6%), atrás do zloti, da Polônia (16,6%).







DROPS
Notícias negativas
Duas péssimas notícias para a pecuária de corte. Além da crise do Margen (manchete deste jornal), a suspensão das importações de carne por parte do governo australiano repercute entre outros clientes. E ainda tem a informação sobre isolamento do gado em Mato Grosso do Sul.

Nem juízo, nem sorte
Há muito tempo produtores paranaenses que têm propriedades em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, vêm alertando através deste jornal: em matéria de controle da aftosa, o Brasil tem mais sorte do que juízo. Isto, em virtude da fragilidade do controle preventivo, ou seja, falta de medidas mais severas no trânsito de animais.

Tudo bem que há muita especulação. Mas o País não deve dar motivos para especulações.

O caso é simples
Ainda bem que o caso é simples: O casco de um bovino de rebanho que está isolado no município de Paranhos, em Mato Grosso do Sul, apresentou pequenos machucados, informou onem a assessoria de imprensa da Delegacia Federal de Agricultura no Estado. A suspeita de febre aftosa em fazenda do município, que faz fronteira com o Paraguai, levou o Ministério da Agricultura a determinar o isolamento do rebanho de 50 cabeças.

Indicativos, não sintomas
Ferimento e rachaduras no casco são indicativos da doença. Mas o bovino não apresentou outro sintoma determinante para suspeita de aftosa: o aparecimento de aftas na boca. Ou seja, pelas matérias da Folhapress e Agência Estado, o ferimento no casco pode não estar relacionado à doença, informou a delegacia. Veterinários do governo avaliam diariamente o quadro clínico do rebanho.

Análises
Amostras de material genético recolhido dos animais foram encaminhadas para análise no Laboratório de Apoio e Referência Animal (Lara) de Belém, no Pará. A expectativa é de que o resultado dos exames esteja disponível na primeira quinzena de janeiro. De acordo com veterinários da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério à Folhapress, é comum que a vacinação ''mascare'' o vírus da aftosa.

Austrália
A Austrália bloqueou um carregamento-teste de 450 kg de carne brasileira neste fim de semana. Segundo o Ministério da Agricultura australiano, todas as licenças de importação de carne bovina foram canceladas e os acordos com o Brasil serão revistos.

Austrália 2
O ministro da Agricultura australiano, Warren Truss, disse que, quando a situação no Brasil ficar clara, a Austrália enviará especialistas ao Brasil para inspecionar a produção de carne bovina. A Austrália é considerada um dos poucos países no mundo que erradicaram a aftosa.

Especulação
Os australianos querem, na verdade, criar uma celeuma, já que o Brasil assumiu a posição de líder mundial de exportações e começa a colocar carne na própria Austrália, diz Camardelli. O executivo da Abiec cita os dados da Secex que mostram que neste ano as vendas de carne bovina para a Austrália já somam 40,1 mil quilos. Esse mercado não existia para o país nos anos anteriores.

Posição no mercado
Os australianos, até o ano passado líderes nas exportações mundiais, estão assustados com preços competitivos, qualidade e regularidade das exportações brasileiras, diz Camardelli. Os custos de produção no Brasil são de US$ 0,90 a US$ 1,00 por quilo, bem abaixo dos na Austrália, diz ele.

Chile também
O ministério confirmou que o Chile pediu informações sobre a suspeita de foco no Mato Grosso do Sul. As respostas foram encaminhadas para Santiago na sexta-feira. ''Até o momento, eles não se pronunciaram e as exportações seguem normais'', comentou o coordenador do programa de defesa animal da pasta, Jamil Gomes de Souza. A Austrália também pediu informações sobre o possível foco e as respostas também foram encaminhadas pelo governo brasileiro. Folhapress.

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