OSWALDO PETRIN
Bondade tributária?
Senado aprovou ontem as medidas do chamado pacote de bondades tributárias do governo, mantendo a isenção de pagamento de contribuições sociais para produtores de leite, fubá e de frango, incluída pelos deputados. Haverá também a redução do imposto a pagar sobre a produção de programas de computadores (softwares).
Ou o Brasil desonera a produção, ou a economia não anda. Como não tem andando, apesar de toda euforia.
Vejamos: A carga tributária subiu para 38,11% no primeiro semestre.
O governo embolsou, na forma de impostos, taxas e contribuições, 38,11% de toda riqueza produzida pelo País no primeiro semestre do ano - um aumento de 1,2 ponto porcentual na comparação com igual período de 2003, quando a carga tributária estava em 36,91%.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o resultado decorre, especialmente, da elevação da alíquota da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de 3% para 7,6%, e do teto máximo da cobrança do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que já subiu duas vezes no ano: de R$ 1.861,00 para R$ 2.508,00.
Apesar das promessas do governo federal de desafogar empresas e população de tantos impostos, a arrecadação teve um salto (descontada a inflação pelo IPCA) de R$ 28,05 bilhões nos primeiros seis meses do ano. Os tributos arrecadados pela Receita cresceram 8,94%, com destaque para a Cofins, aumento de 21,35%, e para a Contribuição Social sobre Lucros (CSSL), 9,55%. As contribuições recolhidas pelo INSS avançaram 13,47% em relação a igual período do ano passado.
A carga tributária permanece em alta, embora o governo insista em desmentir esse fato. A previsão é de que a carga tributária feche o ano na casa dos 37%, acima dos 36,11% registrados no ano passado.
LEITURA DINÂMICA
- Agronegócio argentino também é forte.
- A agroindústria argentina está salvando a balança comercial daquele país. Pela primeira vez deverá terminar o ano com vendas superiores a US$ 33 bilhões, 18% a mais do que em 2003.
- Os argentinos estão gostando. Lá eles não têm um presidente do Incra que xinga o agronegócio. Sorte deles, que sequer tem Incra.
- O setor de agronegócio contribuirá com 35%.
- Um dos setores que auxiliam na balança comercial argentina é a carne bovina, com exportações de 450 mil toneladas e receita US$ 1 bilhão. Em 2003, esses números ficaram em 380 mil e US$ 694 milhões. Fonte:Folhapress.
DROPS
Abate de fêmeas jovens
A pior consequência da crise dos frigoríficos e dos baixos preços pagos pela arroba do boi é o abate de fêmeas em plena idade reprodutiva. O Brasil está comprometendo a velocidade da expansão do rebanho. Este jornal já mostrou, em reportagem especial, que o abate de fêmeas além do limite tolerável, tem seus efeitos negativos. Muitos técnicos se pronunciaram sobre o assunto. Mas a realidade do mercado impõe que o processo continue.
Abate de fêmeas 2
Conforme levantamento do IBGE, o abate de matrizes/fêmeas no acumulado de janeiro a setembro de 2004, foi quase 36% maior que igual período de 2003. O recorde foi atingido em julho: 830.673 fêmeas foram abatidas. Poderiam ter um bezerro na barriga, mas foram para o açougue. Isto tem consequências econômicas. Os próprios pecuaristas reconhecem que não é inteligente.
Abate de fêmeas 3
Sobre o assunto, o analista da FNP Agroinformativos, José Vicente Ferraz, observa que o percentual até caiu um pouco: a sequência de abate foi interrompida no mês de agosto. Desta forma, inverteu-se a tendência de aumento mensal no número de fêmeas abatidas até agora, pois os números de setembro se mostraram inferiores a agosto.
Problema pode voltar
Analistas de mercado pecuário admitem que o ritmo de abate pode continuar violendo por razões de mercado. As recentes quedas nos preços do boi no entanto, podem fazer o abate de fêmeas voltar. Se isto acontecer os reflexos se manifestarão em outro segmento do mercado: o gado de reposição será muito valorizado. Daqui a uns 10 meses vai ser difícil fazer reposição; tourinhos estarão supervalorizados.
Mercado do boi ontem
Nenhuma mudança, os preços continuam baixos. O mercado do boi gordo ainda se ressente da pressão de oferta que conspira contra os próprios produtores. Em São Paulo, ontem, frigoríficos exportadores operaram com R$ 62,00/arroba. Ao mesmo tempo, o valor médio, à vista, do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou em R$ 60,61/arroba (-0,30%). A prazo, a cotação ficou em R$ 61,79/arroba (-0,23%).
Soja pode reagir
A notícia sobre focos de ferrugem da soja, ontem, na região de Cambé, deve refletir no mercado. Quando focos foram identificados no Brasil - e, depois, nos Estados Unidos, a Bolsa de Chicago reagiu com alta. O fenômeno especulativo pode voltar a ocorrer.
Média no Paraná, ontem
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 32,76/saca (-0,55%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 12,13/saca (-1,46%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.





