OSWALDO PETRIN
Garantia de mercado
O governo terá de entrar firmemente no mercado agrícola, no ano que vem, se quiser evitar o afrouxamento dos preços com as conseqüências de sempre, como a redução de plantio na safra seguinte. E o próprio governo está sentindo que isto vai acontecer. Tanto que pretende fazer previsão orçamentária para financiar a comercialização de alguns grãos, que têm função estratégica, como o milho.
Na verdade, o que o governo precisa é criar o kit completo: EGF (Aquisição do Governo Federal), AGF (Aquisição pelo Governo Federal), seguro da safra (considerado um palavão) e preços de garantia.
O pacote de apoio vai permitir a aplicação da lei de preços mínimos, que trata da compra de produtos agrícolas, para o estoque federal, sempre que os preços estiverem abaixo do patamar mínimo fixado pelo governo.
DROPS
Os dólares do café
As exportações brasileiras de café renderam US$ 200 milhões no mês passado, 44% a mais do que no mesmo mês de 2003. Em volume, o crescimento foi de 18%, com destaque para o aumento de vendas de 30% do arábica e queda de 17% do solúvel. Os dados são do Cecafé e foram divulgados ontem pela Agência Folha no vaivém das commodities.
Demanda aumenta
Após os números de novembro, o diretor geral do Cecafé já prevê receitas de US$ 2 bilhões com o café neste ano. A alta dos preços lá fora - só mês passado foi de 27% em Nova York - ajuda na concretização dessas estimativas. A Alemanha, principal destino do produto brasileiro, já comprou 15% a mais neste ano do que em 2003.
Soja ainda não reage
Como alguns analistas já haviam previsto, a sustentação do dólar, ontem, não refletiu no mercado ao ponto de elevar o preço da soja. O mercado interno trabalhou com poucos negócios, inclusive na praça de Ponta Grossa, que concentra grande número de indústrias esmagadoras.
Chigado tem recaída
Chicago fechou em baixa, mas pouco refletiu sobre o mercado que está fraco desde meados do ano. Os contratos futuros de soja registraram baixas na Bolsa nesta terça. Segundo os operadores, as altas de segunda-feira não se sustentaram. Os contratos de janeiro perderam 7,75 centavos, para 5,22 dólares por bushel.
Nem Bolsa, nem câmbio
Portanto, o mercado interno não obedeceu nem o câmbio nem a Bolsa de Chicago. Há muita soja no mundo, neste momento. Sobram 61 milhões de toneladas (1 safra brasileira) alertam os técnicos da FNP Agroinformativos. Pelo levantamento feito junto ao mercado, pouquíssimos produtores negociaram volumes significativos a espera de melhores preços.
Preço médio no Paraná
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 32,49/saca (+0,62%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,82/saca (-0,34%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Fatores baixistas
O final do plantio da safra Brasileira e Argentina (sem maiores problemas) para os próximos dias, sugere que o preço venha a ceder, de novo. Uma possível nova pressão baixista será a confirmação de área de plantio sul-americana, que é recorde. Com o início da colheita em meados de fevereiro pode haver novo ciclo de preços baixos.
Fatores altistas
Mas há previsão de fortes especulçãoes altistas após a colheita no Brasil e Argentina. É que em abril/maio as estatísticas serão reais e aí, então o preço reage. Nesta altura a demanda de soja pela China e Mercado Europeu fica mais nítida. Inicia-se então um ciclo de alta da soja.
Cuide bem
Portanto, a soja vai dar a volta por cima em seis meses ou menos. Quem não vender, verá. Melhor saída é vender em parcelas. Outra coisa: o produtor deve cuidar bem da lavoura e manter o nível de tecnologia com uso dos fatores de produção; não abra mão deles desses insumos. Se vacilar vai ver o vizinho ganhar dinheiro sozinho.
LEITURA DINÂMICA
Fato raro:
O ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura se reúne hoje com Antonio Palocci Filho, da Fazenda para pedir que R$ 2 bilhões do Orçamento de 2005 sejam reservados para este fim.
Nos últimos três anos a agricultura não precisou desses recursos porque os preços das commodities estavam altos, mas, com a superoferta mundial de grãos prevista para o ano que vem, os preços tendem a cair.
A lei de preços mínimo será o único mecanismo que o governo utilizará para compensar as perdas que o setor terá em 2005.
A perda a que se refere é a desvalorização do dólar e a queda dos preços no mercado internacional.





