Intervenção no câmbio

Seria como dizer: você vai entrar na piscina mas não vai conseguir se molhar.
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles (aquele que o governo Lula mandou ''blindar'' conferindo-lhe estatus de ministro, para evitar desgastes diante de problemas que teria enfrentado com o Imposto de Renda) negou ontem que a compra de dólares pelo BC tenha sido uma intervenção no câmbio.
Segundo ele, a operação tem como objetivo a recomposição de reservas do País, em processo iniciado já no ano passado.
Para o presidente do BC, a operação pode ser entendida através de nota divulgada pelo próprio banco no dia 6 de janeiro deste ano, quando foi feita a última compra de dólares pela instituição. Segundo essa nota, o banco não se compromete a alcançar nenhuma meta de câmbio específica, mesmo que tenha o objetivo de aumentar as reservas do País.
Em um recado indireto sobre a polêmica no governo em torno da política cambial - segundo a Agência Estado, ontem -, Meirelles reafirmou que a política econômica é baseada em três fatores: o câmbio flutuante, o sistema de metas de inflação e o ajuste fiscal.
Já para o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é importante esta intervenção do governo porque garante mecanismos que assegurem a renda dos produtores.
Como se vê, o fator intervenção é apenas uma questão de semântica.

LEITURA DINÂMICA

- O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse ontem que ''o câmbio, como está, perturba a competitividade do agronegócio''.

- Os insumos comprados esse ano foram adquiridos com um câmbio mais valorizado e, portanto, ''com um valor maior do que o que está hoje''.

- Os custos da produção que já vinham subindo por causa do crescimento da demanda mundial dos insumos agrícolas, principalmente fertilizantes e equipamentos agrícolas, estão mais altos hoje.

- A expectativa é de descasamento de renda nessa área e o governo tem de tomar todas as medidas para evitar o endividamento do setor.

DROPS

Crise dos frigoríficos
As análises de mercado do boi gordo passam pela crise dos frigoríficos. Ontem, de novo, o analista do FNP observou que o mercado ainda se ressente das turbulências causadas pelos problemas envolvendo o Grupo Margem, embora aparentemente já comece a diminuir o pânico de alguns pecuaristas que retiraram seus bois escalados nos frigoríficos do Grupo.

Influência no mercado
O mercado de boi sofre as consequências das investigações da polícia no setor de frigoríficos, diz por sua Vez a Agência Folha/vaivém das commodities. Nos últimos dias, a arroba do boi gordo recuou 1,59%. Nesse mesmo período, a carne suína teve valorização de 2,07%. O preço máximo registrado pelas carnes bovina e suína é de R$ 64/arroba no mercado paulista. Na média, é de R$ 62.

Desistência
Um grupo de norte-americanos interessados em se instalar no mercado brasileiro de carne - e que circulou pelo país há dois meses - desistiu depois de julgar muito complicada a contabilidade (contabilidade?) dos frigoríficos brasileiros.

Preço máximo no Paraná
O valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou ontem em R$ 62,10/arroba (-0,85%). A prazo, a cotação ficou em R$ 63,34/arroba (-0,55%). No Paraná, o preço máximo foi mantido ontem, na praça de Maringá, em R$ 61,00 (US$ 22,3) para pagamento a prazo. O preço tende a reagir a partir desta semana por conta do aumento no consumo nas festas de Natal e Ano Novo.

Dólar não sustenta a soja
O Banco Central interveio ontem no mercado de câmbio comprando dólares. O preço da moeda, que oscilava entre R$ 2,69 e R$ 2,70 nas primeiras operações da manhã, subiu imediatamente para a faixa de R$ 2,71 a R$ 2,72. No final do dia, a taxa cambial foi de R$ 2,719 para venda, em alta de 0,36% sobre o fechamento de sexta-feira. Mas o câmbio não conseguiu - pelo menos ontem - exercer influência no preço da soja, no mercado interno.

Paranaguá sem negócio
Paranaguá fechou em baixa; nas principais praças do interior, os preços não evoluíram e o número de negócios foi pequeno, quase nada. A semana começa no compasso de final de ano.

Na Bolsa, reação
Já na Bolsa de Chicago o mercado futuro fechou em alta, com ganhos que variaram de 3 a 5 centavos por bushel. O contrato de janeiro subiu 4,00 centavos, para 5,2975 dólares por bushel. Semana passada a Bolsa operou em baixa todos os dias.

Realidades diferentes
No mercado interno, altas de R$0,20 a 2,00/sc em Passo Fundo, Ponta Grossa, Rondonópolis, Cuiabá, Lucas do Rio Verde e Sorriso. Apenas no Porto foi registrado uma queda de R$0,30/sc. Duas realidades distintas marcaram o mercado interno neste início de semana. No Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, segundo as fontes consultadas pela FNP, houve significativos volumes de negócios.

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