OSWALDO PETRIN
Após eleições, índices reais
''O Consumidor está menos otimista'', aponta pesquisa da FGV, que está sendo divulgada neste Caderno de Economia. Na verdade, o consumidor nunca esteve otimista nos últimos meses: o que houve foi o que um leitor da coluna chamou, apropriadamente, de ''indução da propaganda'' (oficial), às vésperas das eleições.
Nunca houve tantas notícias sobre pesquisas apontando crescimento econômico, crescimento da oferta de emprego, etc. Também nunca os órgão de governo divulgaram tantas pesquisas (otimistas).
Passadas as eleições, veio a realidade de uma economia castrada por altas taxas de juros, em que só os bancos ganham.
A notícia sobre conjuntura econômica pela Fundação Getúlio Vargas diz: A alta dos juros, aliada à acomodação no desempenho da indústria e à incerteza sobre os rumos da inflação e do mercado de trabalho, levaram a uma queda no otimismo do consumidor em novembro ante outubro, interrompendo um período de crescimento de expectativas positivas iniciado em julho.
A notícia, da Agência Estado é sobre a conclusão da Sondagem das Expectativas do Consumidor, anunciada (ontem) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo, já em outubro a retomada da confiança mostrava sinais de que poderia ser revertida. ''O otimismo era cauteloso e não eufórico. Não acredito que esse resultado vá se repetir em dezembro, pois o cenário macroeconômico apresenta sinais favoráveis'', disse Campelo, lembrando os resultados positivos do Produto Interno Bruto (PIB) anunciados recentemente. Os dados da Sondagem ainda não são suficientes para afirmar se a atual expectativa pode afetar as vendas de Natal.
A pesquisa, iniciada em outubro de 2002 de forma trimestral, e que passou a mensal em julho desse ano, consultou 1.455 chefes de família.
LEITURA DINÂMICA
- Ainda sobre o pessimismo:
- Diz a notícia da AE: Um dos dados mais negativos da pesquisa foi que 21,7% informaram piora na situação econômica atual do País, em relação aos últimos seis meses.
- Em outubro, esse porcentual era de 21,4%. Ao mesmo tempo, a quantidade de pessoas que confia numa situação futura melhor diminuiu (de 17,2% para 15,9%).
- Para os próximos seis meses, 12,4% acreditam em situação pior do que a atual, ante porcentual de 9,9% em outubro.
- A influência negativa do retorno do aumento dos juros básicos (taxa Selic) pode ser verificada na menor intenção de compras de bens de alto valor, como eletrodomésticos, carros ou imóveis.
- Dos pesquisados, 53,6% informaram que serão menores os gastos com bens de alto valor nos próximos meses. Esse porcentual era de 48,9% na sondagem de outubro.
DROPS
Sisbov será voluntário
A adesão ao Sisbov por parte dos pecuaristas brasileiros será voluntária. A informação foi dada a esta coluna ontem à tarde pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz. Ele participou de reunião, em Brasília, entre o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, representantes do setor produtivo e técnicos do Sisbov - Sistema Brasilerio de Rastreamento.
Câmara da Carne
Neme também participou de reunião da Câmara Setorial da Carne, em que foi instituída uma comissão para avaliar o trabalho que vem sendo feito no Paraná para rastreamento do gado. O sistema é considerado modelo, por isso, segundo Neme, a comissão estará no Estado para conhecer o sistema e aplica-lo em outras regiões. O presidente da Rural convidou o Ministro Roberto Rodrigues para a 45 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, entre 7 e 17 de abril de 2005.
Mercado reage
A proximidade das festas de fim de ano continua empurrando para cima os preços da carne suína em São Paulo com os preços no Sudoeste do Paraná acompanhando de perto. Ontem, a carne suína encostou na bovina. Os melhores preços pagos pelos frigoríficos paulistas para as duas carnes foram de R$ 64 por arroba. A carne suína, no entanto, vem subindo mais: nos últimos 30 dias, teve valorização de 11%, contra 4% da bovina.
Boi: Paraná
O preço do boi gordo, em Maringá, estacionou nos R$ 61,00 (US$ 22,3), valor representativo da região noroeste do Paraná. Veja outros preços nos indicadores da página 2. A demanda começa a aumentar por conta das festas de Natal e Ano Novo. O setor varejista começa a formar estoque na próxima semana. Analistas estão prevendo aumento de preços para a segunda quinzena de dezembro - apesar de problemas extra-mercado como o que ocorre com o grupo Margem.
Boi: média
O preço médio em São Paulo manteve-se, ontem, encostado no patamar de R$ 64,00, onde havia chegado na quarta-feira. O valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou em R$ 62,68/arroba (-0,13%). A prazo, a cotação ficou em R$ 63,69/arroba (-0,09%).
Grupo Margem
''O mercado do boi gordo operou hoje (ontem) sob o impacto das especualções a respeito das consequências (para o mercado) da operação da Polícia Federal em relação ao Grupo Empresarial Margem, dono de frigoríficos em oito Estados''. A observação é da FNP, Consultoria e Agroinformativos, de São Paulo.
Grupo Margem 2
''Certamente, os compradores usam o argumento de diminuição da concorrência pela compra da matéria-prima para tentar forçar baixas, o que de fato aconteceu no Mato Grosso do Sul e Rondônia. Este é mais um acontecimento totalmente inesperado que contribuiu para - ainda que por curto espaço de tempo - adiar as correções de preços esperadas para este mês.
Soja, média, ontem
O indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 32,44/saca (-0,83%). Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,87/saca (-1,66%). O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná. Mercado calmo.





